MPF investiga destino de recursos de poupanças abertas por pessoas escravizadas no século XIX na Caixa
Ação aponta para possíveis violações de direitos humanos e racismo institucional

O Ministério Público Federal (MPF) investiga o destino de recursos depositados em, ao menos, 158 cadernetas de poupança abertas por pessoas escravizadas no século XIX junto à Caixa Econômica Federal.
O levantamento, que reúne 14 mil documentos históricos, busca esclarecer se os valores destinados à compra de cartas de alforria foram sacados ou permanecem sob custódia do banco.
A ação foi motivada por uma representação da entidade Quilombo Raça e Classe e aponta para possíveis violações de direitos humanos e racismo institucional, dada a falta de tratamento arquivístico dos dados por mais de 150 anos.
O MPF defende que a descoberta pode resultar em pedidos formais de desculpas e indenizações materiais para herdeiros dos correntistas, além de reparações coletivas.
Em nota, a Caixa afirmou que a pesquisa em seu acervo histórico é um processo contínuo realizado por equipes multidisciplinares e que os resultados sobre livros de contas correntes serão reportados oportunamente.
O desafio atual consiste em identificar a titularidade das contas e localizar os descendentes para possíveis reparações.