MPMG cumpre mandados em Belo Horizonte e Contagem durante operação contra golpes financeiros
Durante a ação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Belo Horizonte e Contagem
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC) de Varginha, deflagrou nesta quarta-feira (5), a Operação Máscara Oculta. A força-tarefa visa desarticular um esquema especializado em estelionato digital, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Durante a ação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Belo Horizonte e Contagem, resultando no recolhimento de celulares, computadores, notebooks e mídias digitais para perícia. A pedido de prisão cautelar apresentado pelos investigadores foi indeferido pelo Judiciário.
A apuração aponta que o grupo criava contas falsas em redes sociais para atrair interessados em aplicações financeiras. As vítimas eram direcionadas a grupos de mensagens e induzidas a realizar depósitos em corporações de fachada que utilizavam laranjas no quadro societário, operavam por breves períodos e simulavam atuação no mercado de capitais. Mentores com dados clonados e falsos investidores garantiam o aporte contínuo de recursos.
Ao alertar a sociedade sobre o golpe, o coordenador Regional de Defesa da Ordem Econômica e Tributária de Varginha, Daniel Ribeiro Costa, enfatizou: “Os investigados ofereciam iscas para cooptar pessoas interessadas em fazer investimentos. A engenharia criminosa usava uma série de mecanismos tecnológicos para ganhar a confiança de que aquele investimento poderia efetivamente render frutos às vítimas. É importante alertar a população para não acreditar em ganhos fáceis e investimentos que prometem retornos fora do padrão do mercado”.
Assim que captavam os montantes, os suspeitos efetuavam sucessivas transferências bancárias, encerravam as empresas e bloqueavam o resgate do capital pelas vítimas, reiniciando a fraude em seguida sob novos CNPJs. As apurações indicam movimentação superior a R$ 15 milhões, sendo que apenas uma das firmas movimentou mais de R$ 5 milhões em cerca de dois meses de atividade.
Diante da sofisticação da fraude, o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ( Gaeco) de Varginha, Igor Serrano Silva, pontuou: “Se a criminalidade se desenvolveu a ponto de criar um esquema criminoso tão bem feito, o Estado, da mesma maneira, tem que se dedicar a criar estruturas para enfretar esses crimes, especialmente, agora, nos meios virtuais. E é fundamental, também, que o cidadão passe a compreender a existência e a forma de prática desses crimes para que não caia nesses golpes”.
A ostensiva mobilizou dois promotores de Justiça, um delegado e 26 policiais militares, integrando a UCC, o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).