MPMG recomenda estudos integrados sobre impactos da mineração em Ouro Preto

Órgão cobra da Feam análise conjunta de empreendimentos que operam em áreas próximas para evitar degradação acumulada

MPMG recomenda estudos integrados sobre impactos da mineração em Ouro Preto
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) recomendou à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) a adoção de medidas para exigir estudos ambientais, culturais e arqueológicos integrados em projetos de mineração localizados na região de Botafogo e Serra de Ouro Preto, na região Central do estado. A medida, expedida em 1º de outubro, busca garantir que os efeitos cumulativos das atividades minerárias sejam avaliados de forma conjunta.

De acordo com a Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Ouro Preto, o modelo atual de licenciamento da Feam avalia cada empreendimento isoladamente, o que acaba permitindo a aprovação de diversos projetos de pequeno porte em áreas vizinhas. O somatório dessas intervenções tem provocado impactos ambientais significativos, mas que não aparecem de forma clara nos estudos individuais.

Entre as recomendações do MPMG estão: a realização de estudos integrados de impacto ambiental, cultural e arqueológico; a revisão de licenças já concedidas, com novas condicionantes e complementação de análises técnicas; a elaboração de diagnósticos socioambientais participativos, com envolvimento das comunidades locais; e a obrigatoriedade da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) em casos que envolvam comunidades tradicionais. O documento também orienta que os processos sejam compatibilizados com as exigências de órgãos como Iphan e Iepha.

O promotor Emmanuel Levenhagen Pelegrini, responsável pela recomendação, afirmou que uma análise integrada dos empreendimentos permitiria uma avaliação mais rigorosa e medidas de controle mais eficazes. Segundo ele, a ausência dessa abordagem tem resultado em uma proteção insuficiente do meio ambiente, sobretudo em áreas como Ouro Preto, onde há concentração de pequenas minas atuando em territórios próximos.

A Feam tem o prazo de 15 dias para informar as providências adotadas ou justificar tecnicamente caso não acate as recomendações.

*Com informações MPMG.