A Ponte Rio-Niterói, oficialmente chamada Ponte Presidente Costa e Silva, enfrentou durante décadas um desafio significativo: ventos fortes faziam a estrutura oscilar mais de um metro.
O ponto mais crítico era o vão central de 300 metros, construído para permitir a passagem de navios pela Baía de Guanabara. Com 72 metros de altura, essa seção expunha a ponte à ação direta de rajadas, chegando a mais de 60 km/h, exigindo até fechamento temporário da travessia em casos extremos.
O balanço constante da ponte não era apenas desconfortável para motoristas; representava risco real de desgaste estrutural. Vibrações repetitivas comprometiam as vigas metálicas e aumentavam a probabilidade de fissuras, além de ameaçar a estabilidade da ponte.
Encontrar uma solução que fosse segura, duradoura e que não interrompesse o tráfego diário, que chega a mais de 150 mil veículos, tornou-se prioridade para engenheiros e autoridades.
A tecnologia brasileira que estabilizou a ponte
Em 2004, pesquisadores da COPPE/UFRJ, liderados pelo professor Ronaldo Battista, desenvolveram os Atenuadores Dinâmicos Sincronizados (ADS), um sistema inovador e totalmente brasileiro. Diferente de métodos tradicionais, os ADS não tentam impedir o movimento da ponte; eles se movem em sincronia com a estrutura para reduzir as oscilações.
O sistema é formado por 32 caixas de aço suspensas por molas, que funcionam como contrapesos para absorver a energia do vento, reduzindo as oscilações da ponte de 1,2 metro para cerca de 10 centímetros.
Além de garantir conforto para motoristas, o sistema prolongou a vida útil da ponte, reduzindo o desgaste de materiais e a necessidade de manutenção emergencial. Interrupções por vento forte praticamente deixaram de ocorrer, trazendo economia e segurança.
