Município castra dezenas de animais e visa continuidade para reduzir superpopulação de cães e gatos nas ruas
De acordo com a Diretoria de Controle de Zoonoses, pelo menos 24 mil animais vivem em Itabira atualmente, a grande maioria em situação de rua

A Prefeitura de Itabira finalizou, nesta sexta-feira (7), mais uma etapa do mutirão de castração de cães e gatos. Dessa vez, foram esterilizados 74 animais no Castramóvel estacionado no Parque de Exposições Virgílio José Gazire. A intenção, segundo o município, é buscar alternativas para dar continuidade ao projeto mesmo após a conclusão do contrato atual, previsto para ser encerrado em junho, e atacar o problema da superpopulação dos bichos em situação de rua na cidade.
O mutirão atual teve início em junho do ano passado. Com recursos do Fundo Especial de Gestão Ambiental (Fega), a Prefeitura acionou o Consórcio Intermunicipal Multissetorial do Médio Piracicaba (Consmepi) e reservou o Castramóvel. O município banca o aluguel do veículo e a contratação dos profissionais veterinários que realizam as cirurgias. Toda a mobilização está orçada em cerca de R$ 300 mil.
Os animais atendidos pelo projeto seguem critérios estipulados pela Diretoria de Controle de Zoonoses do município: animais abandonados ou que têm dono, mas com livre acesso às ruas; animais domiciliados que convivem com outros, permitindo risco de cruzas; animais que foram retirados das ruas por protetores e animais de pessoas com baixa renda. A inscrição é feita por meio de um link da internet e daí todos os cadastros passam por uma triagem do setor de zoonoses.

O contrato atual prevê 1.250 castrações. No ano passado, foram 450. Agora, a Prefeitura terá até junho para concluir as 800 restantes. A próxima etapa já está agendada para terça e quarta da semana que vem (11 e 12), novamente no Parque de Exposições. De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Robson Costa de Souza, a administração municipal já trabalha em busca de recursos para dar continuidade às cirurgias.
“É uma coisa boa para a saúde pública e que precisa ser levada adiante. Precisamos resolver esse problema que é a grande quantidade de animais soltos pelas ruas de Itabira”, comentou o secretário.
Segundo a diretora de Controle de Zoonoses, Kelley Pinto Generoso, a fila de castrações do município, montada a partir das inscrições dos tutores, hoje tem cerca de 2 mil animais. Ela diz que o número aproximado de cães e gatos em Itabira, incluindo aos domiciliados, pode chegar a 24 mil. A grande maioria, porém, está em situação de rua.
“A nossa intenção é continuar trabalhando para que isso (mutirões de castrações seja perpétuo”, comentou a diretora, que também está à frente da Ampari, entidade de protetores que trabalha atendendo animais em situação de rua em Itabira.

Autor do projeto de lei que possibilitou as castrações, o vereador Neidson Freitas acompanhou o segundo dia de atividades. Para ele, o maior ganho do trabalho é a sensibilização por parte do governo municipal para a causa animal.
“O mais importante é a valorização da causa animal no nosso município. É um grande passo dado, mais ainda há muito por fazer. A gente sabe que são milhares de cães e gatos que precisam ser esterilizados para que haja o controle populacional em Itabira. Vamos trabalhar para conseguir mais recursos para dar continuidade a este projeto”, comentou.

A voluntária Eliane Andrade, do grupo Apaixonada por Animais, levou dez cães para o mutirão de castração. Ela avalia que a iniciativa é essencial porque minimiza o sofrimento dos animais nas ruas da cidade.
“A população de animais tem crescido consideravelmente porque não havia um projeto de castração. É importante para diminuir o número de animais nas ruas e consequentemente o número de animais vítimas de maus tratos. Estamos falando é de vidas. Hoje são muitos os protetores em Itabira e, se esse número está crescendo, é porque está crescente também o número de abandonos, algo que temos que combater”, afirmou.