Naná Villar fala sobre memória e expectativa para o Festival Baiandeira

Filha de Newton Baiandeira destaca a multiplicidade da obra do pai e a importância de mantê-la viva em diálogo com novas gerações

Naná Villar fala sobre memória e expectativa para o Festival Baiandeira
Foto: Giovanna Victoria/DeFato
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O Festival Baiandeira está chegando. Entre os dias 5 e 7 de setembro, o evento busca rememorar a multiplicidade artística do estimado Newton Baiandeira em Itabira. Usando da música, poesia e artes visuais como elementos para evocar a memória do artista, o evento também é vivido como experiência pessoal por Naná Villar, filha do multiartista e integrante do duo Baiandeira em Dois, que se apresenta no sábado (6). Em entrevista exclusiva à  DeFato, ela refletiu sobre o legado do pai e sobre como sua obra ressoa no presente.

Para Naná, o festival simboliza a permanência de Baiandeira na vida coletiva da cidade. “É sentir que meu pai está presente ainda, que não é só dentro de mim, mas na memória da cidade toda. É como se cada música ganhasse vida de novo na voz de Itabira, que ele tanto cantava”, afirma. Essa dimensão coletiva é acompanhada por uma lembrança íntima, já que a preparação do evento significou revisitar fitas antigas, manuscritos e registros de shows. “Volto à infância, à adolescência e à vida adulta acompanhando os shows. Em cada poema e cada canção, o amor por Itabira e Minas aparece de forma muito clara”, conta.

O festival foi pensado para refletir o caráter multifacetado do artista. Naná Villar reforça que Baiandeira não era apenas compositor, também entalhava madeira, pintava, escrevia crônicas e cultivava a poesia. Esse entrelaçamento de linguagens será visível em todas as atividades do festival, da audição do disco O Trem que Leva Minas às exposições e feiras de artesanato. A proposta é permitir que o público perceba como a criação de Baiandeira atravessava diferentes campos artísticos, sempre vinculada à identidade local.

O duo Baiandeira em Dois foi criado em parceria com o músico Leonardo Madeira, companheiro de Naná, e surgiu a partir do desejo de dar forma contemporânea ao legado do pai. “Queremos pôr no palco a nossa interpretação da obra dele. Ainda não é o momento de apresentar nossas composições, porque o foco é reverberar o Baiandeira. Só no acervo que estamos organizando já encontramos mais de 5 mil músicas”, explica.

O show da dupla no sábado contará também com a participação especial do cantor Luizinho Lima, que dividiu palco com Newton nos últimos anos de sua vida. “Eles tinham uma amizade forte, e trazer Luizinho é dar continuidade a essa relação. É um gesto de memória, mas também de renovação da sonoridade do espetáculo”, destaca.

A programação do festival inclui shows, feira de artesanato, exposição e a audição do disco O Trem que Leva Minas. As atividades acontecem no Coreto Newton Baiandeira, na Praça do Campestre, e no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), todas com entrada gratuita.

Para o futuro, Naná acredita que o mais importante é preservar o impulso criativo. “Espero que esse festival mostre que a arte não pode morrer. Criar é um direito humano, e foi isso que meu pai fez: dedicou a vida ao que acreditava. Que as novas gerações sintam que também é possível”, conclui.