“Não podemos adoecer”: terceirizados da Cemig paralisam serviços em protesto contra regra que impede promoção após atestado médico

Funcionários da A. Tonanni, empresa contratada pela estatal, denunciam regras rígidas para progressão de cargo em João Monlevade e Guanhães

“Não podemos adoecer”: terceirizados da Cemig paralisam serviços em protesto contra regra que impede promoção após atestado médico
Foto: Divulgação

Uma paralisação de aproximadamente 60 trabalhadores da empresa A. Tonanni Construções e Serviços, terceirizada da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), mobiliza nesta sexta-feira (7) equipes em João Monlevade e Guanhães, no Médio Piracicaba. O movimento, liderado por eletricistas, pede melhores condições de trabalho e mudanças nas regras de progressão de cargo dentro da empresa.

De acordo com os funcionários, um dos principais pontos de insatisfação é a política que impede a promoção de trabalhadores que apresentarem atestado médico nos primeiros anos de contrato. Eles afirmam que, para avançar de nível, de eletricista iniciante a eletricista 1 e 2, é preciso ficar até dois anos sem qualquer atestado médico, o que consideram abusivo, especialmente diante da natureza pesada do serviço. “O nosso trabalho é pesado. A gente carrega postes, faz buraco, lida com caminhão. É impossível alguém passar um ou dois anos sem precisar de um atestado. Se a pessoa ficar doente, se machucar, já perde a chance de promoção”, relatou um dos eletricistas em entrevista ao portal DeFato Online.

Ainda segundo os trabalhadores, o movimento começou na quinta-feira (6) em Guanhães e foi ampliado nesta sexta-feira para João Monlevade. Eles dizem que a paralisação deve continuar até que a empresa apresente uma resposta concreta sobre as reivindicações.

“A previsão é voltar só quando resolverem essa questão do atestado e da classificação. Aqui ninguém está tendo mudança de cargo. Eles dizem que só sobe de nível quem ficar um ano sem atestado, e isso é injusto”, afirmou o trabalhador.

Os profissionais também alegam que não receberam propostas da empresa até o momento. Um engenheiro representante da A. Tonanni esteve nos locais para conversar com os encarregados, mas, segundo os trabalhadores, nenhuma solução foi apresentada.

Movimento ilegal

Durante uma reunião com os funcionários, um dos supervisores da A. Tonanni informou que o movimento era ilegal e afirmou que os dias parados seriam descontados. No vídeo, é possível ver ele explicando os critérios atuais para progressão de cargo, reforçando que o avanço depende da ausência de faltas e atestados médicos por um determinado período.

“Então você vem sem experiência, e aí, com seis meses, não pode ter falta, não pode ter atestado. Dentro dos critérios, passa e vai pra um. Depois, pra subir de um pra dois, são vinte e quatro meses. Esse é o critério de hoje. […] A paralisação é ilegal, todos os dias serão descontados. A partir de agora, é 365 dias pra classificação”, disse o supervisor.

Ainda segundo ele, a orientação é que os trabalhadores formalizem suas reivindicações por escrito, já que, segundo afirmou, não há negociação durante a paralisação. “Joga tudo no papel e traz pra gente. Parado, não tem negociação. Isso é zero”, declarou.

Os trabalhadores afirmam que, em Guanhães, o grupo buscou apoio jurídico para formalizar as reivindicações. Em João Monlevade, o movimento ocorre de forma autônoma, sem participação do sindicato.

Posicionamento da empresa

A reportagem entrou em contato com a Cemig, que informou ser necessário direcionar a solicitação à empresa A. Tonanni. O portal também procurou a empresa para comentar as denúncias e as condições de trabalho relatadas pelos funcionários, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.