“Não posso representar o Cruzeiro a 50%”, diz Leonardo Jardim ao explicar saída

Após anúncio da despedida, Portal DeFato Online traz bastidores da coletiva em que o técnico revelou desgaste físico, emocional e motivos familiares

“Não posso representar o Cruzeiro a 50%”, diz Leonardo Jardim ao explicar saída
Foto: Gustavo Martins/Cruzeiro

Após a confirmação oficial de sua saída do Cruzeiro, anunciada mais cedo pelo clube e amplamente repercutida ao longo do dia, o Portal DeFato Online traz agora os detalhes da entrevista coletiva de despedida concedida por Leonardo Jardim. Foi nesse encontro com a imprensa que o treinador português explicou, de forma pública e minuciosa, os motivos que o levaram a interromper o trabalho à frente da equipe celeste.

A coletiva foi realizada na tarde desta segunda-feira (15), na Toca da Raposa II, em Belo Horizonte, poucas horas depois do anúncio oficial do desligamento. Durante cerca de duas horas, Jardim falou com franqueza sobre desgaste físico e mental, questões familiares e a decisão de não iniciar a temporada 2026 sem estar plenamente preparado.

“Não posso representar o Cruzeiro a 50%. Para estar aqui, é preciso estar a 100%”, afirmou o treinador, em uma das falas que mais repercutiram entre torcedores e nas redes sociais ao longo do dia.

Leonardo Jardim deixou claro que a decisão não teve relação com resultados esportivos, críticas, viagens ou questões contratuais. Segundo ele, trata-se de uma escolha pessoal, construída ao longo dos últimos meses, diante de um acúmulo de desgaste profissional e emocional. “O trabalho de treinador tem que ser feito a 200%. Eu sempre estive a 200% aqui, mas neste momento não consigo dar isso no início do próximo ano”, explicou.

O técnico relembrou que já adotou a mesma postura em outros momentos da carreira, como após a longa passagem pelo Monaco, quando optou por uma pausa de um ano e meio. Agora, no Cruzeiro, a decisão ganha ainda mais peso por envolver também a necessidade de estar mais próximo da família. Jardim citou, inclusive, o período delicado vivido no início do ano, quando sua esposa enfrentou uma grave situação de saúde.

“Não vale a pena falar de dinheiro, contratos ou outras situações se eu não estiver a 100%. Eu não sou treinador para estar em part-time”, reforçou, em outro trecho bastante repercutido da coletiva.

Apesar da saída, o português demonstrou forte vínculo emocional com o clube e com Belo Horizonte. Ele agradeceu ao presidente Pedro Lourenço, a quem chamou de “padrinho”, aos torcedores e aos profissionais da Toca da Raposa, destacando a integração da família à cidade e o apoio recebido ao longo dos cerca de dez meses de trabalho.

Jardim também avaliou de forma positiva o legado deixado no Cruzeiro, ressaltando a classificação para a Copa Libertadores, a valorização de jogadores do elenco e da base, além da organização interna do clube. “O meu legado é o meu melhor. Tudo o que fiz foi pensando em melhorar a instituição e atingir objetivos”, afirmou.

Questionado sobre o futuro e sobre a escolha do próximo treinador, ele preferiu não interferir, dizendo confiar plenamente na estrutura atual do clube. Ainda assim, deixou as portas abertas para uma relação próxima com a diretoria. “O meu telefone é o mesmo há 11 anos. Se o presidente precisar, estarei disponível.”

A despedida foi marcada por emoção, inclusive com relatos de momentos de choro ao lado do presidente e de conversas francas com jogadores e membros da comissão técnica. Leonardo Jardim encerra sua passagem pelo Cruzeiro como um dos técnicos estrangeiros com mais jogos pelo clube e com reconhecimento público pelo trabalho desenvolvido.

Agora, segundo o próprio treinador, o momento é de pausa, reflexão e cuidado pessoal. “Eu preciso de tempo. Saber parar também faz parte da carreira”, concluiu.

Confira mais conteúdos sobre o Cruzeiro no vídeo a seguir: