“Não quero que outra mãe de Itabira sinta a dor que estou sentindo”

Dona Margareth Mota contempla foto do filho Carlinhos antes de manifestação que pediu paz em Itabira

“Não quero que outra mãe de Itabira sinta a dor que estou sentindo”
O conteúdo continua após o anúncio


Enquanto familiares e amigos se reuniam na praça Acrísio Alvarenga, no Centro de Itabira, e preparavam o início da manifestação que percorreria a avenida João Pinheiro, dona Margareth se afastou. Sozinha, ela foi até um pôster com a foto do jovem Carlos Mota, 22 anos, e ali ficou por alguns minutos. A mãe contemplava a imagem do filho e com uma das mãos contornava o rosto do rapaz, no banner em pose sorridente, como se lhe fizesse carinho. Passado um tempo, veio uma amiga, deu-lhe um abraço e Margareth se afastou.

A imagem do filho sorridente e as lembranças são o que restam para a mãe de Carlinhos. O rapaz foi morto no fim de semana passado, durante uma tentativa de assalto após uma festa no bairro Pedreira, em Itabira. À frente da manifestação que pediu paz e justiça na cidade, dona Margareth ainda encontra forças para fazer de sua dor uma poderosa voz contra o avanço da criminalidade. “Não quero que outa mãe de Itabira sinta o que eu estou sentindo”, diz.

Na manhã deste sábado, 10 de junho, dezenas de amigos e familiares de Carlinhos se vestiram de branco e avançaram pela avenida João Pinheiro. Com cartazes, apitos, faixas e amplificadores de som, os manifestantes gritaram por paz e pediram que o assassino do rapaz seja preso. Antes de saírem pela principal via da cidade, eles deram às mãos e rezaram um Pai Nosso e uma Ave Maria.

“A gente está aqui pedindo justiça. Eu, como mãe, não quero ver um pai ou uma mãe ter um filho que sai para trabalhar ou se divertir e volta morto. Que essa corrente da paz alcance o mundo todo. Era o que o Carlinhos pregava. Ele ajudava todo mundo nas ruas, no hospital. Que todos entrem nessa corente”, pediu a mãe do rapaz.


Amigos e familiares de Carlinhos pediram paz em Itabira                                                         Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Amigo de infância de Carlos, o mecânico Carlos Henrique de Oliveira lamentou o cenário atual de insegurança na cidade. “Itabira passa por uma fase em que pessoas inocentes estão morrendo. Chega! É preciso um basta. Hoje é o Carlinhos, mas amanhã pode ser qualquer um de nós, que sai para trabalhar, que está em casa. Estamos reprimidos por causa de criminosos”, desabafou.

Presente à passeata, o vereador Weverton Vetão, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Itabira, disse que o Legislativo vai organizar uma audiência pública no mês que vem para discutir a violência na cidade. O parlamentar argumentou que segurança pública é dever do estado, mas que o município tem obrigação de atuar e criar alternativas para ajudar a frear o avanço dos crimes.

No início desta semana, o comandante do 26º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Hudson Ferraz, afirmou que o autor já foi identificado e é procurado pelas equipes de segurança pública. O responsável pela corporação em Itabira afirmou que a instituição não mede esforços para encontrar os responsáveis por esse e outros crimes que acontecem na cidade.