Noraldino Júnior: o deputado que ajuda a encontrar pessoas
“Buscamos pessoas que têm envolvimento com o desaparecido e conseguimos informações que, às vezes, não chegariam para a polícia”
Entrevista publicada na edição 276 da Revista DeFato
Na política, o termo base de apoio costuma ser usado para designar um grupo de legisladores que se junta para defender os interesses do Poder Executivo. Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no entanto, uma base diferente passou a desempenhar importante função social desde que foi criada, em março deste ano. A Frente Parlamentar de Apoio aos Familiares de Pessoas Desaparecidas (Afaped) surgiu para ajudar a enfrentar esse tipo de problema que tira o sono de milhares de pessoas em todo o estado.
Na coordenação da Frente está o deputado Noraldino Lúcio Dias Júnior, 40 anos. Natural de Juiz de Fora, com formação em Turismo e Meio Ambiente, ele desempenha esse trabalho desde que era vereador em sua cidade natal. Nunca teve pessoas desaparecidas na família, mas vivencia de perto a dor de quem não tem informação de um ente querido. “No Legislativo, as realidades chegam muito rapidamente”, diz o parlamentar, que afirma ainda que ajudar a encontrar pessoas é algo que justifica e enobrece o mandato na ALMG.
A preocupação de Noraldino está baseada em números. Em Minas Gerais, de acordo com dados da Polícia Civil, mais de 3 mil pessoas são consideradas desaparecidas. Em Itabira, há casos emblemáticos como o da jovem Maximila Christian Reis Campos, 16 anos, que sumiu de casa há um ano. Também o de Késia Juliana Soares Batista, 26 anos, que não dá informações desde agosto deste ano. Os dois casos foram divulgados pelo deputado em sua página no Facebook.
As redes sociais são grandes aliadas no trabalho desenvolvido pela Afaped. O deputado Noraldino busca agora mais apoio e recursos financeiros para abranger as atividades e ajudar encontrar ainda mais pessoas. Na entrevista a seguir, concedida em seu gabinete na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o parlamentar fala da Frente, narra casos marcantes e conta como é estar na coordenação de um trabalho tão importante.
Como surgiu a ideia de montar a Frente?
A ideia surgiu porque é grande o desespero de familiares de pessoas desaparecidas. Nós já trabalhávamos com essa realidade em Juiz de Fora, quando eu era vereador. Quando a pessoa desaparece, a família fica muito desnorteada, não sabe onde pedir apoio. Geralmente vai na Polícia Civil, que é o órgão responsável. Só que a Polícia Civil tem um contingente limitado, desenvolve o trabalho, mas com limitação. Ela não consegue atingir muitas pessoas com a divulgação da informação. Então, nós trouxemos o trabalho que fazíamos em Juiz de Fora para ser institucionalizado no estado. Aprovamos a Frente e estamos desenvolvendo esse trabalho com maior abrangência. Fazemos a divulgação pelo WhatsApp e pelo Facebook. Trabalhamos também com parcerias. São três mil órgãos parceiros. Eles já eram parceiros da Polícia Civil e hoje estão nesse trabalho conjunto.
A matéria completa pode ser conferida na edição 276 da Revista DeFato. Já nas bancas!
Ainda não é ASSINANTE? Assine DeFato por R$ 88 anual e receba a revista todo mês em casa. Ligue (31) 3831-3656, envie um e-mail para [email protected] ou faça contato pelo www.clubedefato.com.br.