“Nossa arrecadação mensal é em torno de R$400 reais. Eu falei isso com um vereador e recebi uma risada”, diz diretor da Acinpode
Para desabafar, Lenean Costa Rocha utilizou o artifício da tribuna popular
Na reunião ordinária desta quarta-feira (16), na Câmara Municipal de João Monlevade, o tema acessibilidade foi pauta de discussão. Para isso, utilizando do artifício da tribuna popular, o diretor da Associação de Cooperação e Integração dos Portadores de Deficiência de João Monlevade (Acinpode), Lenean Costa Rocha, tomou posse da palavra e desabafou sobre todos os problemas que a associação enfrenta.
A Acinponde tem 24 anos de existência, atuando em todo o Médio Piracicaba. O assunto abordado na Câmara foi a “Situação das pessoas com deficiências e mobilidade reduzida que vem a cada dia aumentando”.
Posicionamento
Lenean também é cadeirante. De acordo com o diretor da associação, pelo Censo 2010, em João Monlevade, tinha 5310 pessoas com deficiência. Lenean disse crer que, hoje, o número é muito maior.
“Essas pessoas se excluem, por vergonha. Uma de nossas missões é encaminhar pessoas com deficiência ao mercado de trabalho. Elas precisam ser incluídas. Orientamos na compra de veículos, na concessão de credenciais de estacionamento. Somente a Acinpode tem essa credencial no Médio Piracicaba e serve em âmbito federal”, enfatiza.
A Acinpode conta com mais de 70 equipamentos emprestados (camas, cadeiras de rodas, etc). Lenean diz que a associação não tem um local para deixar os materiais, sendo distribuídos em casas de voluntários.
Inacreditável
Em lágrimas e com clara chateação, Lenean falou da arrecadação mensal da Acinpode: “é a parte que mais dói o meu coração, circulam em nossas contas em torno de R$400,00 ou R$500,00”.
Uma das partes que mais chamaram atenção durante o pronunciamento foi sobre a conversa que o diretor teve com um vereador. “Eu falei o valor de arrecadação mensal da Acinpode com um vereador uma vez e recebi foi uma risada”, enfatizou. O diretor não quis falar qual o vereador em questão.
Silêncio
De acordo com Lenean, a população muitas vezes também não inclui essas pessoas.
“A população não fica sabendo dos bastidores, muitas vezes nem sequer conhece a associação. Precisamos de ajuda de pessoas voluntárias, ajuda financeira, de novos equipamentos também. Qualquer ajuda é bem-vinda. Tudo é feito de coração! Fazemos o possível e impossível para ajudar todos os deficientes”, ressalta.
Necessidade
Lenean ressalta que é necessária a criação de um centro de apoio para acolher os deficientes, além da ajuda financeira para os tratamentos e a morosidade nos processos de ajuda municipal, estadual e federal.
“Temos que cumprir requisitos do Sistema Único de Saúde (SUS) para obtermos cadeira de rodas. Para transitar no passeio de João Monlevade é muito difícil. Às vezes temos as faixas de acessibilidade, mas temos que dar a volta no canteiro, o que dificulta muito nossa vida”, finaliza.
Casa
O vereador Belmar Diniz (PT), líder do governo, propôs uma mudança de nomenclatura no regimento interno da Câmara. Assim, se for realmente modificado, o item “f” do Art 4° do regimento mudaria de “portador de necessidades especiais” para “pessoas com deficiência (PcD)”. Além disso, propôs algumas funções da Comissão de Direitos Humanos e do Consumidor, Defesa Social e Desenvolvimento Econômico e do Direito das Pessoas com Deficiência (PcD).
“A política pública ainda não trata com total ênfase as Pessoas Com Deficiência (PcD). Precisamos fiscalizar as ruas, as formas de acessibilidade, se os benefícios de prestação continuada são destinados, se os recursos próprios de pessoas com deficiências (através do Fundo) estão de acordo e a garantia do atendimento prioritário. Além disso, inclusões no mercado de trabalho (fiscalizar as empresas se cumprem a destinação das vagas) e nas escolas”, finaliza.
O vereador Gustavo Prandini (PTB) ressaltou a luta dos responsáveis pela associação. Além disso, pediu para que uma lista do que é prioritário seja feita.
“A última grande conquista foi há oito anos atrás, lamentável. O credenciamento de estacionamento foi uma parceria do meu governo como prefeito (2009-2013) com a Acinpode. Nós precisamos avançar na acessibilidade social em todos os âmbitos”, endossa.
Já o vereador Revetrie Teixeira (MDB), que é cadeirante, enfatizou que a cidade não tem acessibilidade nenhuma. Nas eleições, o vereador teve que ser carregado para conseguir chegar até a sessão que iria estabelecer o direito dele de votar. “Ainda bem que esta Casa quer apoiar e muito a causa. Precisamos ir além de palavras, queremos ações concretas”, finaliza.




