“Nossa missão é ser exemplo de economia balanceada”, diz prefeito de São Gonçalo

Antônio Carlos fala sobre o trabalho de diversificar a economia e prospectar negócios para a cidade ainda durante os primeiros passos da mineração

“Nossa missão é ser exemplo de economia balanceada”, diz prefeito de São Gonçalo
Antônio Carlos, prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo – Foto PMSGRA

Diversificação econômica. Expressão cada vez mais comum em municípios mineradores, resume um conjunto de atividades que busca tornar o local mais independente das cifras geradas pela atividade extrativista. Embora bastante almejada, alcançar essa emancipação não é tarefa fácil. As riquezas produzidas pela mineração, muitas vezes, fazem acomodar as autoridades, que só despertam para a diversificação quando a atividade está prestes a acabar. É o erro que São Gonçalo do Rio Abaixo não quer cometer. Sede da gigantesca mina de Brucutu, da Vale, o município busca diversificar desde já sua economia. De acordo com o prefeito Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT), a cidade tem a missão de ser um exemplo positivo nessa busca por uma economia balanceada. Na entrevista a seguir, ele conta como tem se aproximado desta meta. Confira!

Recentemente, em evento da Amig, o diretor do Indi apontou São Gonçalo do Rio Abaixo como o melhor exemplo de cidade mineradora que cuida de sua diversificação. O que tem sido feito para que o município seja lembrado dessa maneira?
Acredito que seja devido aos investimentos que são feitos no município com os recursos oriundos dos royalties e à nossa busca incessante por atração de empresas para os nossos distritos industriais. Estamos sempre participando de reuniões com órgãos como o Indi, a Fiemg, a Codemig, entre outros, para apresentar as potencialidades de São Gonçalo e prospectar negócios para a nossa cidade.

São Gonçalo é uma cidade com mineração ainda relativamente recente e tem como vizinha Itabira, município com mais de 70 anos de extração mineral. Quais os exemplos São Gonçalo pode tirar do histórico de Itabira?
Itabira foi o berço da mineração no Brasil e observando o caminho trilhado pela cidade temos que atentar para o futuro do nosso município. A principal lição que nossa vizinha nos dá é justamente a importância da diversificação econômica, pois como sabemos minério tem só uma safra.

Já são dez as empresas instaladas no Distrito Industrial de São Gonçalo do Rio Abaixo, com atividades variadas. Sobre essa diversidade de ramos, é uma intenção do município que seja assim? A Prefeitura tem um planejamento estabelecido dos rumos que quer seguir? Há um plano diretor para essa diversificação?
Na verdade são 13 empresas instaladas, sendo dez no Distrito I e três no Distrito II e temos ainda mais sete empresas em fase de implantação. A nossa intenção é sim diversificar os ramos de atividades das empresas instaladas para desvincular a economia da atividade minerária e também para abrir o leque de oportunidades para o são-gonçalense. Estamos trabalhamos um plano de desenvolvimento que vai nortear os melhores investimentos para o município.

Mesmo com todo trabalho que é feito em prol da diversificação, São Gonçalo sofreu um baque muito forte com a paralisação de Brucutu. Na avaliação do senhor, quando o município estará totalmente preparado para prosperar sem a mineração?
Estamos trabalhando para que muito em breve São Gonçalo consiga crescer independente da mineração. A localização privilegiada da cidade é com certeza um diferencial que vai facilitar seu desenvolvimento. A duplicação da BR-381 também beneficiará o município. Atentos a essas possibilidades estamos preparando nossa cidade para crescer. Investimos em amplas avenidas e na construção do novo trevo de acesso ao município – que permitirá a entrada e a saída de máquinas pesadas para atender os distritos. Temos também buscado know how de entidades conceituadas em captação de investimentos e estamos sempre investindo em nossos distritos industriais para torná-los mais atrativos.

Muito se tem falado em “nova mineração” após as recentes tragédias envolvendo barragens. A Amig tem insistido que as empresas do setor precisam dialogar mais com as prefeituras e comunidades. Como o senhor enxerga essa relação atualmente? Mudou algo ou ainda está no mesmo patamar?
Depois desses últimos acontecimentos, percebo, sim, a intenção da empresa em estreitar os laços com os municípios, tanto é que temos participado mensalmente de reuniões com representantes da mineradora junto à Amig.

O senhor está no segundo mandato e obrigatoriamente tem que deixar a Prefeitura ao fim do ano que vem. Que balanço faz até agora de sua gestão e como pretende deixar São Gonçalo do Rio Abaixo em 31 de dezembro de 2020?
Começamos um ano de 2017 com muitas dificuldades, com os reflexos da queda de ICMS e dos royalties devido à crise da mineração ocorrida nos anos de 2015/2016. No final de 2017 conseguimos a mudança da alíquota da Cfem, mas num primeiro momento São Gonçalo não foi contemplado porque a Mina de Brucutu estava passando por manutenções e a produção caiu um pouco. Ao final de 2018 tivemos uma recuperação da economia e no ano de 2019, apesar de todos os impasses que passamos com o fechamento da Mina de Brucutu, nossa situação melhorou, reflexo também de todo planejamento que fizemos em 2017 e início de 2018. Tenho certeza que temos tentado fazer o máximo para deixar uma cidade preparada para o desenvolvimento. Hoje São Gonçalo está sendo vista pelo Estado e pelo Brasil como exemplo de cidade promissora, tenho visto isso nas visitas a alguns órgãos do Estado, entidades e algumas grandes empresas. Em 2020 teremos várias realizações e novidades. Meu compromisso é tentar fazer o melhor para deixar o município cada dia mais como exemplo. Sempre pensando na linha de pregar o bem sem olhar a quem, mas pensando sempre no desenvolvimento das futuras gerações são-gonçalenses.

Entrevista publicada na edição mº 64 do jornal DeFato Cidades Mineradoras