Nova lei bancária promete reduzir juros e ampliar concorrência com portabilidade salarial automática

O texto reforça o direito à informação, prevendo que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional regulamentem as novas diretrizes em até 180 dias

Nova lei bancária promete reduzir juros e ampliar concorrência com portabilidade salarial automática
O Banco Central tem 180 dias para regularizar o novo sistema- Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Novas regras que ampliam os direitos dos clientes de serviços bancários no Brasil entraram em vigor na semana passada. A lei 15.252, foi sancionada com alguns vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já publicada no Diário Oficial da União (DOU), estabelecendo a portabilidade automática de salário, o débito automático entre contas de diferentes bancos e a criação de uma nova modalidade de crédito com juros menores.

O texto reforça o direito á informação, prevendo que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional regulamentem as novas diretrizes em até 180 dias.

A significativa mudança está na possibilidade de o trabalhador ou aposentado poder escolher o banco onde pretende receber seus rendimentos, com transferência automática do salário ou benefício.

Antes dessa mudança, o processo de portabilidade dependia de solicitação expressa e tinha pela frente barreiras burocráticas. Agora, a medida passa a correr de forma simplificada, digital e imediata.

A advogada Andrea Sano Alencar, sócia da área de Direito Bancário e de Mercado de Capitais do EFCAN Advogados, acredita que “a portabilidade automática e o débito interbancário reduzem a fricção e a assimetria de informação, nivelando o campo de jogo entre as instituições. O consumidor ganha poder de escolha e os bancos terão de oferecer serviços mais competitivos e taxas de juros mais vantajosas”.

Outro ponto importante da nova lei é a criação de uma “modalidade especial de crédito”, com juros reduzidos, destinada a clientes que aceitarem condições adicionais, como notificações eletrônicas e penhora de valores acima de 20 salários mínimos em caso de inadimplência.

A expectativa é de que a regulamentação do Banco Central detalhe as contrapartidas e os mecanismos de proteção ao consumidor.

Para Fernanda Melendez, advogada do Juveniz Jr. Rolim Ferraz Advogados, a proposta “não é uma revolução, mas um importante avanço”.

“A digitalização do processo incentiva bancos a investirem em tecnologia, reduzirem tarifas e oferecerem benefícios adicionais para atrair e fidelizar clientes”.

Apesar dos vetos do presidente Lula, retirando trechos sobre contas pré-pagas e prazos obrigatórios para portabilidade.

Especialistas avaliam que a lei consolida uma nova etapa de modernização do sistema financeiro brasileiro.

“A legislação traz um incentivo claro à eficiência e à inovação. A partir dela, quem ganha é o consumidor, com serviços mais baratos, transparentes e alinhados às suas necessidades”, diz Andrea Sano.

*Fonte: Exame