Novembro esfria o setor calçadista

Setor Calçadista deixou de empregar devido à entrada descontrolada de produtos asiáticos no mercado brasileiro

Novembro esfria o setor calçadista

O mês de novembro não foi dos melhores para a indústria brasileira de calçados. Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),  divulgados no dia 16 de dezembro pelo Ministério do Trabalho, em Brasília, o setor calçadista deixou de empregar 5 mil pessoas no período.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso, o resultado é reflexo do aumento das importações de produtos do setor da Malásia, Indonésia e Vietnã. A entidade afirma que entraram 26% a mais de calçados e componentes de origem asiática no Brasil, especialmente desses três países, entre janeiro e novembro deste ano.

“Embora os dados mostrem redução na importação de pares (de calçados prontos), a compra de cabedais e outras partes de calçados dos países que estão sendo monitorados disparou este ano, o que mostra indícios de triangulação, com a compra de componentes para a montagem dos calçados em solo brasileiro”, explica. “Desta forma, as importações continuam afetando diretamente nossa indústria”, aponta Cardoso.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) revelam que a importação de calçados prontos ou desmontados, nos onze meses do ano ­– incluindo componentes como cabedais (parte de cima) e solados – totalizou 44,3 milhões de peças. Ou seja, 26% a mais em relação a 2009 (35,2 milhões).

Segundo Cardoso, esses números demonstram que os produtores de calçados asiáticos estão se utilizando da triangulação como estratégia para acessar o mercado brasileiro e escapar das medidas antidumping. "Em outras palavras, as empresas asiáticas, que exportam grandes volumes para o Brasil, se utilizam da venda de calçados desmontados para driblar a aplicação do direito antidumping, que atualmente é aplicado somente ao calçado pronto”, esclarece.

Solução rápida

A assessoria da Abicalçados explica que a empresa já está preparando petição ao governo, solicitando a inclusão dos calçados desmontados no regime de aplicação de direito antidumping. Esta será a solução viável encontrada pela entidade para conter a entrada “descontrolada” desses produtos no país.