Novo relatório informa presença de óleo em Rio de Peixe; captação na barragem está paralisada

Marly Procópio expôs dados levantados em novas visitas técnicas realizadas neste mês de novembro

Novo relatório informa presença de óleo em Rio de Peixe; captação na barragem está paralisada

Em novo relatório de vistoria, técnicos da Prefeitura de Itabira recomendam que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) analisem a presença de óleo na água de Rio de Peixe. O documento foi apresentado ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema), em reunião ocorrida nessa quinta-feira, 24 de novembro, na Mata do Intelecto. A captação em Rio de Peixe para abastecimento a bairros de Itabira está paralisada desde o dia 14 de novembro, conforme o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).

O relatório é assinado pela auditora fiscal de meio ambiente Marly Aparecida Reis Procópio e pelo engenheiro agrônomo Júlio César Moreira Pessoa. Marly compareceu à reunião do Codema para falar sobre o tema. Em vistorias feitas pela equipe dela nos dias 17 e 22 de novembro, foi confirmado que a captação de água está paralisada no curso d’água.

A captação de água na localidade é polêmica por se tratar de uma barragem de rejeitos da mineradora Vale. Relatório anterior assinado pelos mesmos especialistas, das seções de Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica e Secretaria Municipal de Meio Ambiente, apontou que a água tem índices insatisfatórios de manganês, metal pesado que traz sérias complicações à saúde. O Saae nega essa possibilidade e disse ainda antes que respeita todos os parâmetros estipulados pelo Ministério da Saúde de substâncias que possam ser prejudiciais à saúde.

A água barrenta é captada e tratada pelo Saae na Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio de Peixe. A ETA foi inaugurada em março deste ano, mas está em operação desde 2015. A estação atende aproximadamente 25 mil pessoas de bairros como Santa Ruth, Santa Marta, Monsenhor José Lopes, Valença, Fênix e João XXIII.

A suspensão da captação na barragem há 11 dias ocorreu, pelo menos, pela turbidez do líquido, que aumentou e ficou além dos índices adequados. A autarquia aguarda a conclusão instalação de tanques pela Vale para adição de cal à água, para reduzir sua turbidez. Enquanto isso, o abastecimento na região antes atendida pela ETA Rio de Peixe está sendo feita pela Pureza.

Oléo na água

O problema não é o único, conforme o levantamento acompanhado por Marly Procópio. Os técnicos percorreram um trecho de 1,2 quilômetro à margem da barragem de Rio de Peixe e perceberam manchas escuras no leito do rio, “possivelmente sobrenadantes oleosos”, cita o relatório, com várias fotografias.

A última reunião do Codema foi em 10 de novembro. O conselho pediu esclarecimentos ao Saae sobre a recomendação dos profissionais da Prefeitura de que água de Rio de Peixe não seja utilizada para consumo humano. Novamente, a autarquia não se posicionou sobre o impasse de forma oficial.

Representantes do Saae integram o Codema. Eles afirmam que há informações inverídicas sendo levadas à população, o que tem provocado tumulto. Outros conselheiros questionam, no entanto, o fato do Saae não se posicionar de forma clara sobre suas operações em Rio de Peixe, o que reforça o temor pelo consumo da água.

A captação na barragem de Rio de Peixe é feita em suporte à ETA Pureza. Sua suspensão só foi possível em virtude do período chuvoso, pois, segundo o Saae, do contrário poderia representar desabastecimento. Os sistemas de captação em Itabira operam, em média, com vazão de 438 litros por segundo em época de chuva. Um dos projetos futuros para a sustentabilidade hídrica são obras na barragem de Santana.

“Eu gostaria de frisar que a equipe técnica do Saae só vai operar essa ETA (Rio de Peixe) quando a população tiver garantia que não vamos ter nada negativo em relação ao odor. Os únicos gargalos que temos hoje são cor e odor. Somente será distribuída essa água se esse dois parâmetros forem atendidos. Os demais parâmetros, ressalto, estão todos dentro dos padrões, sejam agrotóxicos, sejam cancerígenos, sejam de metais de pesados. Não há ninguém no Saae de braços cruzados com relação a isso”, manifestou um dos representantes do Saae no auditório.