Novos empreendimentos mostram que há vida fora da mineração

Oportunidades na iniciativa privada e no setor público dão fôlego à economia de cidades do Médio Piracicaba

Novos empreendimentos mostram que há vida fora da mineração

A edição 64 do mês do jornal DeFato Cidades Mineradoras, que circulou nessa última semana, explora as diversas iniciativas empreendedoras que têm surgido em Itabira e região fora do mundo da mineração. São empreendimentos em variados ramos, como o varejo (supermercados e hipermercados), saúde (clínicas especializadas), educação (idiomas, profissionalizantes e ensino superior), comércio e serviços em geral (lojas de roupas, drogarias e iniciativas localizadas) e, ainda a construção civil (loteamentos e conjuntos habitacionais). É uma ponta apenas do desafio imposto rumo à diversificação econômica, mas tem sinalizado o caminho.

Os trágicos acontecimentos em Mariana e Brumadinho envolvendo barragens de rejeitos colocaram em evidência, mais do que nunca, a necessidade de os municípios mineradores acelerarem o processo de diversificação de suas matrizes econômicas. Não apenas pela insegurança que esse tipo de atividade traz para as comunidades. Ou ainda pela degradação ambiental, social e urbana que provoca. As tragédias desnudaram a finitude das minas e escancararam o temor do que virá no cenário pós-exaustão.

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No caso de Itabira, a diversificação econômica se tornou assunto obrigatório em qualquer evento público ou privado. É uma preocupação que acompanha o itabirano desde o raiar do dia. O que será da cidade daqui oito anos, quando a produção de minério der os últimos suspiros? Sem vagões para encher de minério, do que viverá a cidade drummondiana? De onde virão os empregos? O que será feito das megaestruturas que hoje cercam a cidade-berço da mineração no Brasil? Como se vê, o momento é propício mais a perguntas que respostas. Estas ainda não existem para muitas das dúvidas surgidas pós-Mariana e pós-Brumadinho.

No caso de Itabira, reforçadas pelo famoso relatório da Vale, emitido dois anos atrás, onde era confirmada a exaustão das minas para 2028. Uma particularidade de Itabira, assim como o soar das sirenes da Barragem Sul Superior da Mina do Gongo Soco, em fevereiro, é uma particularidade para Barão de Cocais. São Gonçalo do Rio Abaixo, Conceição do Mato Dentro, Santa Bárbara… cada cidade tem sua história revisitada após a chegada da mineração em larga escala. Todas estão atentas ao momento de Itabira, que é um case vivo do que pode vir a ocorrer em uma economia sem minério de ferro na sua composição. Mesmo cidades que não vivem diretamente da extração mineral, como João Monlevade ou Caeté, estão com radares voltados a Itabira, centro nervoso da experiência pós-mineração.

Editorial publicado na edição nº 64 do jornal DeFato Cidades Mineradoras 

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