Número de atendimentos a dependentes químicos aumenta 40% em Itabira
O problema de dependência em álcool e drogas em Itabira está aumentando. No primeiro semestre deste ano foram registrados 210 atendimentos a dependentes químicos, uma média de 35 por mês. Em todo o ano de 2018, foram feitas 300 visitas assistidas, média de 25 por mês. Os dados são do Serviço Municipal de Atenção ao […]


O problema de dependência em álcool e drogas em Itabira está aumentando. No primeiro semestre deste ano foram registrados 210 atendimentos a dependentes químicos, uma média de 35 por mês. Em todo o ano de 2018, foram feitas 300 visitas assistidas, média de 25 por mês.
Os dados são do Serviço Municipal de Atenção ao Usuário de Álcool e Drogas e apontam um aumento de 40%, considerando a média mensal de atendimentos. Esses registros não se referem ao número de pessoas, pois o paciente pode procurar atendimento mais de uma vez. Geralmente, três vezes. Já o número de pedidos de internação chegou a 73 de janeiro a junho deste ano, conforme o Serviço.
De acordo com a assistente social do Serviço Municipal de Atenção ao Usuário de Álcool e Drogas, Uades Tereza Oliveira, o perfil do usuário itabirano é o jovem, maior de 18 anos, homem, estudante do ensino fundamental ou desempregado e sem relação conjugal estável. A profissional pontua que os adultos dependentes, com idades de 30 a 65 anos, são em sua maioria alcoólatras, já os jovens são mais viciados em outras drogas.
No Brasil, mais de 3 milhões de brasileiros consomem drogas ilícitas, de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz. O estudo foi divulgado em abril de 2019 e corresponde aos dados coletados em 2017.

Acompanhamento
Para a assistente social Uades, a melhor solução para tratar os usuários são as comunidades terapêuticas, instituições que prestam serviços de acolhimento de pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas. “Para que ele consiga sair desse cenário do consumo abusivo e da situação de rua, o dependente crônico precisa ir para um ambiente protegido, como as comunidades terapêuticas”, disse.
O usuário álcool e drogas pode ficar internado em uma comunidade terapêutica de seis a nove meses, período considerado como desintoxicação e abstinência. A estada nesses locais é temporária e voluntária. Nas comunidades terapêuticas, os dependentes químicos trabalham, realizam tarefas domésticas e recebem acompanhamento psicológico. Caso o usuário não aceite ir para a comunidade terapêutica, o atendimento laboratorial é feito pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Capsad).
Itabira
Em Itabira, existem apenas duas Comunidades Terapêuticas, a Fazenda Esperança e Associação Municipal Assistencial Itabirana, ambas são masculinas e realizam a laborterapia, tratamento psicoemocional através do trabalho. De acordo com a assistente social, as comunidades terapêuticas são particulares e mantidas por doações, pagamento de mensalidade e/ou convênios financeiros com o poder público.
A Fazenda Esperança, por exemplo, recebe recursos da Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas (Senapred). Desde fevereiro deste ano, o governo federal abriu as portas para convênios, termos de colaboração e termos de fomento voltados às comunidades terapêuticas do país.
Nos primeiros seis meses de estada do usuário de álcool e drogas, o fundo custeia o tratamento. Passado este período, o custo para continuar na comunidade é de um salário mínimo mensal (R$ 998). Lá existem, aproximadamente, 15 vagas que são ocupadas em sistema de rodízio.
A Associação Municipal Assistencial Itabirana (Amai) é conveniada com a Prefeitura desde 2015 e recebe recursos financeiros para ser mantida. O trabalho da entidade não se restringe aos residentes, mas estende-se também à família, que é acompanhada por psicólogo e assistente social. A Amai disponibiliza 21 vagas para dependentes químicos e, como a Fazenda Esperança, também funciona como moradia temporária para até nove meses.
As duas comunidades terapêuticas oferecem cinco refeições por dia e oferecem apoio no período de abstinência do usuário.
De acordo com a assistente social, em uma comunidade terapêutica o tratamento é diferente de uma internação clínica. Segundo ela, uma desenvolve trabalho de interação entre os pares e a outra é semelhante ao atendimento hospitalar. “A internação só é indicada se o usuário estiver em crise, se a saúde dele estiver em risco ou colocar em risco a vida de alguém”, disse.
De acordo com Uades, as vagas disponíveis em Itabira são insuficientes, além de não ter uma destinada especificamente para mulheres. Ela ainda ressalta que a ausência da discussão sobre a política antidrogas e a falta de um serviço de busca ativa do usuário para fazer o acompanhamento dificultam a ação de proteção e recuperação do dependente químico.
Grupos de apoio
Para os usuários de álcool e drogas que buscam o diálogo como forma de tratamento, em Itabira acontecem, em média, sete reuniões nos Alcoólicos Anônimos (AA), sendo uma para apoio a familiares. As reuniões dos Narcóticos Anônimos (NA) não acontecem desde 2018.
