O Banco Master foi um Titanic movido a sexo e dinheiro
Daniel Vorcaro é uma espécie de Jeffrey Epstein vira-lata

Sempre se disse, desde o tempo do onça, que “tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Esta afirmação escancara o mais autêntico “complexo de vira-lata”, a expressão clássica do dramaturgo Nelson Rodrigues. O dia a dia, porém, comprova exatamente o contrário. O brasileiro, ao longo da história, imitou os mais sórdidos comportamentos culturais dos norte-americanos. E, neste caso, aflora a nossa tradicional macaquice. Em tempo. O uso do termo símio nada tem a ver com racismo. Se toque!
E, agora, uma circunstância demonstra como a vida imita a arte, ou Tupi é plágio de Apache. Veja duas situações muito semelhantes. O bilionário estadunidense Jeffrey Epstein aliciou políticos, empresários e astros do mundo artístico nos quatro cantos do planeta. Por sinal, o cara era amigo do peito de Donald Trump. Os dois formavam a confraria dos endinheirados. E qual era o principal atrativo de Epstein? Simples. O sujeito distribuía sexo a granel. Uma pena. O “ilustre” depravado se matou numa prisão, mas deixou para a posteridade fotografias e vídeos de desconcertantes orgias. Nem a velha “Boca do Lixo” paulistana produziu cenas com tamanha nitidez. Muita gente bacana está se ferrando com a divulgação das imagens das sacanagens epsteinianas. O charivari vai de Trump a Bill Clinton (o homem do pornográfico charuto). E até a elegante família real britânica embarcou na lasciva canoa furada. Lentamente as máscaras vão se despencando.
Agora, vem a inescapável pergunta. O que este máster escândalo internacional tem a ver com o Master Caramelo? Resposta óbvia: tudo. Daniel Vorcaro é uma espécie de Jeffrey Epstein vira-lata. O fraudador daqui usou os mesmos métodos do pervertido ianque para alcançar os seus objetivos. A tramoia do Banco Master é uma mistura de libertinagem com trapaça. O primeiro capítulo da promiscuidade encontra-se em exibição. O próximo será de total devassidão.
A delação premiada do mineirinho come quieto promete literalmente despir a hipócrita elite nacional. Vem aí os bastidores de gigantescas farras de uma Sodoma da periferia. O palco da algazarra era luxuosa mansão de Trancoso, litoral baiano. Havia outros antros no Brasil e exterior. A volúpia vorcariana não respeitava limites geográficos. Uma simples noitada no estrangeiro custou bagatela de R$ 20 milhões. A boca livre de Daniel era regada a caríssimas bebidas, sofisticados cardápios e mulheres da Ucrânia, Rússia e Lituânia. As garotas do Leste Europeu eram as grandes estrelas da marafunda.
E quem participou da suruba das surubas? Perguntar não ofende. Na lista de convidados apareceriam senadores, deputados, prefeitos, governadores, magistrados, grandes empresários, artistas e até porta-vozes de Jesus, os “ilustres” homens das sacolinhas. Quando o devoto da Igreja da Lagoinha revelar a identidade dos fanfarrões, cabeças e casamentos rolarão. Mas, por que a grande mídia só fala da encrenca financeira e ignora solenemente os magníficos bacanais? Esta indagação deveria ser direcionada aos proprietários dos grupos de televisão, emissoras de rádio, jornais, revistas e portais de notícias.
A bagunça do Epstein tupiniquim pode começar a pipocar de uma hora para outra. E não haverá como contestar a deliciosa fofoca. Mesmo porque, a casa das esplendorosas baladas era monitorada por abundantes e potentes câmeras. Pode apostar. Camas- com seus conteúdos- aparecerão na fita. Não percam!
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.




