O Brasil terá prejuízo de R$ 175 bilhões na economia e quase 2 milhões de desempregados se tarifaço vigorar

Estudo da Fiemg indica que os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, com a China ocupando a liderança

O Brasil terá prejuízo de R$ 175 bilhões na economia  e quase 2 milhões de desempregados se tarifaço vigorar
Flávio Roscoe- ,presidente da FIEMG/foto: Ascom/FIEMG

A nova tarifa de 50% imposta sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos e que passa a vigorar no primeiro dia de agosto pode causar um prejuízo bilionário à economia nacional, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), chegando ao valor de R$ 175 bilhões e uma retração em torno de 1,49% no Produto Interno Bruto (PIB) e a perda de mais de 1,3 milhão de empregos no país.

Se o Brasil optar pela retaliação com tarifa equivalente sobre os produtos americanos, o cenário piora drasticamente, com projeção de queda no PIB de R$ 259 bilhões (2,21%) e corte de quase 2 milhões de empregos, com  perda tributária de R$ 36,18% na massa salarial e queda de  R$ 7,21 bilhões arrecadação tributária.

O estudo da Fiemg indica que os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, com a China ocupando a liderança.

Em 2024, o Brasil vendeu cerca de US$ 40,4 bilhões aos americanos igual a 1,8% do PIB nacional.
Os produtos mais exportados são combustíveis minerais, ferro e aço, máquinas e equipamentos mecânicos, aeronaves e café.

Segundo Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, “os Estados Unidos são um parceiro tradicional do Brasil. Do ponto de vista geográfico, faz todo sentido mantermos um fluxo comercial ativo e complementar. Ambos os países perdem muito com essa medida. Responder com a mesma moeda pode gerar efeitos inflacionários no Brasil. O caminho mais inteligente é a diplomacia“.

Os setores que mais podem ser prejudicados são o agronegócio, a siderurgia e a indústria de transformação, que depende fortemente do mercado externo devido à competitividade e o risco de retaliação pode prejudicar uma cadeia produtiva inteira, refletindo sobre a produção, os empregos e a renda em diversas regiões do país.

As empresas desses segmentos já preveem alta nos custos, a redução da competitividade e cancelamentos de contratos internacionais.

Para o CEO da SME The New Economy, Theo Braga, retaliações comerciais podem parecer medidas firmes, mas geram mais incertezas do que resultados e a economia brasileira é muito vulnerável a choques externos.

“A tarifa eleva os custos dos insumos e reduz a oferta de produtos. Isso pressiona a inflação e compromete o poder de compra das famílias, além de agravar o desemprego em setores com alta demanda por mão de obra. No fim da cadeia, quem sofre é o consumidor”.

Fonte: Correio Braziliense