O corporativismo do STF é pedra no meio do caminho do ministro André Mendonça

Com o tempo, a eficiência, pragmatismo e competência do novo juiz desmontaram as falsas ilações a seu respeito

O corporativismo do STF é pedra no meio do caminho do ministro André Mendonça
O Caso Master provoca apreensão na Suprema Corte- Foto: Antônio Augusto/STF
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A chegada de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF) acionou instantaneamente o modo desconfiômetro.  O alarme psicodélico soou pela qualificação mais aparente do neomagistrado. O sujeito foi apresentado como terrivelmente evangélico. Em tese, entenderia muito mais de bíblia que de interpretação das leis.  Convenhamos. Um conhecimento nada tem a ver com outro. O Estado nacional é aparentemente laico.  Então, não misture demônios com divindades. Política é coisa do cão.

Neste aspecto, a indicação de André parecia decepção prévia.  Certos cidadãos até sonhavam com a ascensão de um jurista radicalmente ateu. Com o tempo, a eficiência, pragmatismo e competência do novo juiz desmontaram as falsas ilações a seu respeito. Não era bem como se pensava. Desculpem a nossa falha. Com o passar dos dias, o preferido do casal Jair e Michelle Bolsonaro migrou de terrivelmente evangélico para extremamente constitucionalista. Hoje, o togado se orienta legalmente por meio de outro livro sagrado: a Constituição Brasileira.

Mas, pelo correr da carruagem, o meritíssimo necessitará fundamental auxílio de Jesus Cristo para carregar a pesada Cruz que pintou em sua trajetória.  Hoje, André- o terrível- escala o Gólgota do Planalto Central com duas batatas quentes nas mãos: a fraude do Banco Master e as investigações sobre a roubalheira no INSS. O “cara” é o relator das duas indecências. Ateus, com certeza, não conseguiriam descascar tamanhos abacaxis.  Mendonça vai tocando o barco com surpreendente maestria. A maracutaia da Previdência é complexa e malcheirosa. Já a barafunda de Daniel Vorcaro está embalada em inúmeros adjetivos: corrupta, perigosa, explosiva, pornográfica, desonesta e avacalhada. O termo rapinagem resumiria tudo. E existe ainda um fator extremamente atômico.  O desenrolar dos dois escândalos pode desempatar a eleição presidencial. Afinal, o cenário é de bomba à procura de um detonador.

Nesta enroscada toda, André Mendonça e a Polícia Federal (PF) estabeleceram a mais eficiente das parecerias.  As apurações se desenvolvem com inesperada desenvoltura. Mesmo contra tudo e todos. Afinal, as catacumbas dos três poderes conspiram contra o êxito da empreitada. Está na cara.  O establishment não aposta no jogo jogado.   De nada, no entanto, adiantou a torcida adversária.  A PF entrou no mar de lama e fisgou peixe graúdo. O senador Cid Nogueira é o primeiro nome da  estripulia.  Mas o tempo- o real senhor da razão- mostrará que o político piauiense não passa de simples lambari. Aí tem coisa. Personagens, ainda mais “cintilantes”, contracenarão nesta película de horrores.

O maior desafio de Mendonça ainda se encontra na linha do horizonte. Aqui, neste ponto, vêm inevitáveis perguntas. Qual será a reação do ilustre relator quando o celular do mineirinho come quieto dedurar ministros do STF?   Há indícios de “vorcarianas” arruaças na casa maior da Justiça.   Os confrades Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques estariam na delicada paisagem.  São muitos tubarões para escassos oceanos. Veja só pequena sinalização.  A banca de advogados de Viviane Barci- mulher do poderoso “Xandão”- faturou a “bagatela” de R$ 80,2 milhões em consultorias para o ex-banco do devoto da Lagoinha.  O que prevalecerá quando esta bronca explodir de vez? A Justiça cega ou o corporativismo dos “capas pretas”? Aguarde a resposta nos próximos capítulos da emocionante trama (ou tramoia).

PS: Flávio Bolsonaro era uma bomba a ser detonada. O celular do encrenqueiro Daniel Vorcaro encontra-se nas mãos da Polícia Federal. O portal “The Intercept Brasil” apenas despertou precocemente o temível Leviatã.

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

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