O eleitorado independente definirá a eleição presidencial
Os principais institutos de pesquisas indicam acirrada disputa entre os candidatos Lula da Silva e Flávio Bolsonaro


O Brasil não é um barraco de amadores. Definitivamente, não é. Observem bem as pesquisas eleitorais deste ano. A conclusão é freudiana. Os números refletem o inconsciente político do brasileiro. Os principais institutos do país indicam acirrada disputa entre os candidatos Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Os dois se encontram em situação de empate técnico no segundo turno. Em alguns levantamentos, o pau a pau já se manifesta no round inicial. A Datafolha– divulgada na sexta-feira (24) – mostrou o seguinte resultado: Lula; 47% e Flávio; 43%. Os estreitos percentuais referem-se a provável tira-teima, no final de outubro.
Mas, Note-se. Esta paisagem não é definitiva. Trata-se apenas da fotografia de momento. O processo eleitoral está sujeito às intempéries do certame. Neste aspecto, Banco Master e INSS têm potencial de pedras fatais no meio do caminho. A qualquer instante, tudo pode se transformar, assim como as configurações das nuvens no céu.
Outro dado bastante significativo chama a atenção. Lula e Flávio estão literalmente empatados no quesito “rejeição”. Neste caso, a assombração assusta. O petista é repudiado por 46% do eleitorado. O ungido de Jair Bolsonaro, por sua vez, é repelido por 48%. O fenômeno extraordinário, porém, apresenta consistente explicação prática. A antipatia coletiva aos dois concorrentes até deveria ser tema de estudos antropológicos. Na verdade, o suposto comportamento bizarro da sociedade tem causa própria. O filme não é tão escatológico como aparenta. Veja bem. A nação encontra-se radicalmente polarizada. Nesta circunstância, o quadro demonstra a seguinte característica: milhões de lulistas não votariam em Flávio de Jeito nenhum. A recíproca também é verdadeira. Milhões de bolsonaristas não cravariam o nome Lula em hipótese alguma. Aí está a origem da imensa repulsa aos protagonistas do embate.
E mais. Este panorama deixa claro que eleitores independentes definirão o novo presidente da República. Mas qual a real radiografia deste imprevisível segmento? A imagem é nítida. O grupo é formado por esquerdistas não necessariamente lulistas e direitistas nem tanto bolsonaristas. A autonomia dessa gente tem consequência prática. Lula e Flávio terão que vender os seus respectivos peixes para um público ideologicamente assistemático. Enfim, este é o conturbado caminho das pedras para o Palácio do Planalto.
P S: Convém ficar de olho em dois concorrentes do processo eleitoral: Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Eles podem roubar a cena. Ambos- que são donos de discursos agressivos e irônicos – prometem distribuir caneladas à direita e à esquerda. Até mesmo por instinto de sobrevivência.
O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.
