O fator Augusto Cury e a síndrome de Romeu Zema
O então desconhecido Romeu Zema Neto- um sujeito com cara e fala de jeca- atropelou o petista Fernando Pimentel e o tucano Antonio Anastasia
Há algo de novo (e muito estranho) no ar, além dos manjados aviões de carreira. O pescoço e a calva lustrosa do ministro Alexandre de Moraes também estão nas alturas.
Mas a conversa é outra. O processo eleitoral seguia no modo “céu de brigadeiro”. Era puro marasmo. Nem parecia que o país se encontrava nas vésperas do primeiro turno do pleito maior da República. Depois da sabatina dos candidatos, na Globo, o inesperado fez uma surpresa e o imponderável decidiu contracenar com a realidade. Aqui se menciona a ameaça de aparecimento da tão sonhada terceira via- a poção mágica contra a polarização.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada no início da semana passada (1/09) revelou o súbito inusitado. O candidato Augusto Cury surpreendeu com inimaginável crescimento. O escritor psiquiatra alcançou dois dígitos e ultrapassou Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). O último Datafolha (3/09) confirmou o fenômeno eleitoral. Essa novidade é má notícia para Flávio Bolsonaro e péssima informação para Luiz Inácio Lula da Silva.
Os números de todas as pesquisas indicam que qualquer concorrente adquire competividade numa disputa de segundo turno contra Lula. Os atuais inexpressivos desempenhos de Caiado, Zema e Santos se transformam em valores astronômicos. No turno final, todos concorrem em situação de empate técnico com o atual inquilino do Palácio da Alvorada. O mesmo panorama vale para o filho do Messias. As campanhas dos dois líderes já farejaram a encrenca e trabalham para liquidar a fatura no dia 4 de outubro. A segunda rodada de votação, portanto, é uma alternativa de alto risco.
E o que o fator Augusto Cury tem a ver com certo personagem das Minas Gerais? Tudo e nada. Vamos tentar decifrar este claro enigma drummondiano por meio de uma viagem no tempo. Este malabarismo faz sentido. Afinal, Minas e história se confundem. O pontapé inicial desta excursão é a clássica reflexão do filósofo Karl Marx. O fundador do Socialismo Científico assegura que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Meditem sobre isto.
Vamos retroceder oito anos no calendário. Neste caso, revisitaremos a eleição para o governo mineiro, em 2018. Na ocasião, Fernando Pimentel (PT) tentava manter-se na Cidade Administrativa, apesar de quatro anos de gestão caótica. O seu adversário era o tucano Antonio Augusto Anastasia. A batalha, a princípio, seria exclusivamente entre os dois. Os demais atores da contenda não passavam de simples coadjuvantes.
De repente, o espanto dos espantos. Um sujeito- com cara e fala de jeca- entrou no palco iluminando. O misterioso e “desconhecidíssimo” atendia pelo nome Romeu Zema Neto. Ninguém dava a mínima para o suposto caipira. A estranha aparição seria apenas mais uma das figuras exóticas de campanhas eleitorais. Mas, não. Ou melhor, deu no que deu. A assombração de Araxá repentinamente subiu nos levantamentos e, de cara, engoliu o petista. Em seguida, devorou a ave de bico longo. Nada de extraordinário. Afinal, o tal matuto, tempos depois, chamaria a atenção por comer bananas com cascas.
Entendeu aonde se pretende chegar com toda esta conversa fiada? O ex-governador encontra-se a anos-luz de Augusto Cury, inclusive intelectualmente. A trajetória eleitoral de Cury, no entanto, leva jeito de Zema. Convém Flávio e Lula botarem as barbas de molho. As próximas pesquisas definirão a real extensão da encomenda. A desenvoltura do discípulo de Freud é mera ilusão de ótica ou consistente movimento retilíneo e uniforme? Caso prevaleça a segunda hipótese, o Brasil conhecerá a síndrome de Romeu Zema ou caipirismo com lógica. É bom ficar de olho. Afinal, como diria velha raposa mineira, “a política é como nuvens, que sempre mudam de formato”, principalmente nas iminências de tempestades. Veja bem. O temporal Lulinha/ Banco Master ainda pode provocar imensas inundações.
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