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O futebol moderno e a nossa ansiedade na busca por verdades absolutas

O futebol moderno e a nossa ansiedade na busca por verdades absolutas

Foto: Reprodução/X/Liverpool

Técnico multicampeão e principal responsável pelo ressurgimento do Liverpool, Jürgen Klopp saiu em defesa de Florian Wirtz, uma das principais contratações do seu ex-clube para a temporada 2025/2026.

O agora diretor global de futebol do Grupo Red Bull classificou o meia, ex-Bayer Leverkusen, como um talento extraordinário, daqueles que só aparecem uma vez a cada século, e chamou as críticas recebidas por seu início no Liverpool, ainda tímido, como “exageradas”. Correto ou não, o posicionamento de Klopp gera reflexões importantes em um momento de muita ansiedade e da busca incessante por verdades absolutas.

Wirtz, de fato, ainda não entregou o futebol que se espera de um reforço avaliado em 116 milhões de libras, mas seu desempenho está longe de ser um fracasso. Embora ainda não tenha marcado gols na Premier League — hoje com sete rodadas disputadas —, o alemão é o jogador com mais chances criadas na mesma competição.

Ou seja, naquilo que cabe a um grande meia articulador, o atleta não tem falhado. Decretar se ele está jogando bem ou não pelo número de gols é raso e incoerente. Mas não chega a surpreender.

É um fenômeno mundial a necessidade de torcedores e até profissionais do futebol imputarem rótulos aos jogadores a cada 90 minutos jogados. Em um calendário insano, essa pressa ganha ainda mais força. Se jogou bem, é craque; mas se atuou mal na partida seguinte, não serve.

Mas essa não é uma exclusividade de Wirtz. Outro exemplo é o sueco Viktor Gyökeres, contratado a peso de ouro pelo Arsenal junto ao Sporting. O atacante também é alvo de fortes críticas neste início de temporada, sendo taxado de forma absurda como “flop” por alguns. Para estes, não entra em campo um ser humano, mas as cifras em torno dele.

Ignoram que, além do contexto esportivo, há o social. Será que aquela nova contratação já se adaptou completamente ao novo país? Uma eventual distância da família e dos amigos pode estar interferindo em seu desempenho? Como este mesmo atleta foi recebido por seus novos companheiros?

O futebol costuma ser um espelho das nossas dinâmicas sociais, e não seria diferente no século do imediatismo.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

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