O homem que escreve com os olhos

Haendel Fonseca e a mãe Maria de Carvalho Fonseca Lobão

O homem que escreve com os olhos
O quarto bem arejado só tem o silencio rompido pelo barulho do aparelho de oxigênio e do ventilador. Janela grande, que permite entrada considerável de luz. Pelas paredes, avisos e textos instrutivos. E um quadro com letras usadas para formar palavras. O local tem duas camas. Uma comum e outra daquelas que todo mundo vê em quartos de hospitais. É nela que está Haendel Fonseca Lobão, 43 anos, ex-motorista de veículos pesados e agora escritor. O homem que escreve com os olhos. 
 
Haendel é portador da esclerose amiotrófica lateral (ELA), doença degenerativa nefasta que ataca o sistema neurológico e tira os movimentos da pessoa acometida. O ex-motorista é natural de São Gonçalo do Rio Abaixo mas mora em Itabira há bastante tempo. Teve de largar a atividade na área da mineração por causa da doença. A ELA avançou rápido, o deixou imobilizado, mas não tirou-lhe o sorriso. E nem a força dos olhos. 
 
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