O Natal chegou mais cedo para o mercado de trabalho
Não podia haver cenário melhor para quem está procurando emprego. As ofertas de vagas se multiplicam nos classificados dos jornais, nas agências de recrutamento, nos balcões do comércio. Não é à toa que o desemprego no país está despencando. De acordo com o IBGE, em agosto, a taxa ficou em 6,7%, a menor desde 2002. […]
Não podia haver cenário melhor para quem está procurando emprego. As ofertas de vagas se multiplicam nos classificados dos jornais, nas agências de recrutamento, nos balcões do comércio. Não é à toa que o desemprego no país está despencando. De acordo com o IBGE, em agosto, a taxa ficou em 6,7%, a menor desde 2002. E mais: o índice é 18% inferior ao registrado em agosto de 2009. Se comparado à dezembro, período em que a taxa diminui por causa das contratações temporárias, pode-se dizer que, neste ano, o Natal já chegou para o mercado de trabalho.
Na região metropolitana de Belo Horizonte, a situação é ainda mais favorável ao trabalhador, já que a taxa de desemprego fechou agosto em 5,2%. Somente no posto do Sine do bairro Floresta, todos os dias, são encaminhadas 50 novas oportunidades de emprego. No setor de alimentação fora do lar, bares e restaurantes estão com 7 mil vagas abertas na região metropolitana. A maioria, 60%, é para garçons, com salários que variam de R$ 800 a R$ 3.000.
A chegada de novos shoppings também está abrindo as portas para quem está em busca de um emprego. Em Sete Lagoas, o primeiro centro de compras da cidade deve ser inaugurado dia 30 de setembro, com 117 lojas e 1.500 postos de trabalho. Na capital, o Boulevard Shopping, previsto para inaugurar dia 26 de outubro, deve gerar 3.500 empregos diretos.
O cenário, que já está positivo, tende a melhorar ainda mais com as contratações de temporários no comércio para as vendas de Natal. De acordo com a Associação Brasileira dos Lojistas em Shopping (Alshop), a expectativa é contratar 130 mil pessoas em todo o país até dezembro. O número é 10% maior que no mesmo período de 2009. Cerca de 25% dos funcionários devem ser efetivados a partir de janeiro.
Pleno emprego. Se depender das ofertas de vagas fixas e temporárias, o Brasil caminha a passos largos para uma situação de pleno emprego até o final do ano. De acordo com alguns economistas, o cenário de pleno emprego já pode ser considerado para taxas de desocupação entre 3% e 5%.
Mas, de acordo com o coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), Mário Rodarte, quando o cenário se aproxima da ocupação máxima, os dados oficiais nem sempre acompanham a realidade. Como há muitas ofertas de vaga, os trabalhadores aproveitam para conseguir melhor posicionamento no mercado. "Eles saem do emprego e começam a buscar um que ofereça mais vantagens. Assim, ele entra na estatística como ’desempregado’ e contribui para elevar o índice", analisa o economista.
Ainda de acordo com Rodarte, esse período é ideal para os trabalhadores conquistarem salários melhores. "Quanto maior a concorrência entre as empresas pelos profissionais disponíveis, o prêmio aumenta", diz.
Esse cenário já começou a acontecer na construção civil. De acordo com o Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon MG), como faltam profissionais disponíveis, os que estão empregados conquistam cada vez mais benefícios. "As empresas querem fixar os trabalhadores e começam a oferecer assistência a saúde, prêmios por produção, dentre outros, que redundam em aumento de até 20% da renda", detalha o presidente do Sinduscon, Luiz Fernando Pires.
Qualidade do emprego está melhor no país
Rio de Janeiro. Apesar dos efeitos negativos da crise internacional no Brasil em 2009, o mercado de trabalho avançou em aspectos qualitativos, apontou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Enquanto a taxa de desemprego subiu em 2009 em relação a 2008, o grau de informalidade atingiu o menor nível da década (48,45%) no ano passado. O comunicado mostrou, ainda, que o rendimento real médio de todos os trabalhos atingiu R$ 1.068,39 no ano passado, maior valor desde 2001. O crescimento está relacionado ao aumento da participação de pessoas escolarizadas entre os ocupados.
Pleno emprego
Outro lado. Segundo o economista do Dieese Mário Rodarte, a situação de pleno emprego pode impedir o crescimento da economia, já que as indústrias não conseguem trabalhadores para ampliar a produção.