O risco silencioso da Noruega no confronto contra o Brasil
Longe dos holofotes de Erling Haaland, Martin Odegaard possui papel fundamental na seleção nórdica
Com a definição do confronto entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo, um nome passa a causar receio aos brasileiros: Erling Haaland. O atacante norueguês surge como um fenômeno geracional e acumula gols tanto pela seleção escandinava quanto pelo Manchester City, por onde atua desde 2022.
Mas outro nome, bem menos badalado, da equipe comandada por Stale Solbakken pode representar um real perigo para Carlo Ancelotti e seus comandados. Falo de Martin Odegaard.
Revelado pelo Strømsgodset e contratado ainda adolescente pelo Real Madrid, o maestro dos campos – e das arquibancadas, já que é ele quem comanda a famosa remada viking – noruegueses surgiu como uma grande promessa. Porém, talvez por toda a pressão envolvida, não correspondeu às expectativas logo de cara. Seu talento só aflorou mesmo em outro clube espanhol, a Real Sociedad.
O desempenho de alto nível no time basco não demorou a chamar a atenção e levou o meia a Londres, para vestir a camisa do Arsenal. Junto aos atuais campeões da Premier League, atingiu seu auge técnico. A última temporada, marcada pelas lesões, não foi das melhores. Mas nada que chegue perto de ofuscar a brilhante passagem pelos gunners, iniciada em 2021.
Nestes cinco anos, Odegaard conquistou o carinho dos torcedores do Arsenal com seu futebol dinâmico, refinado e marcado pelas assistências. Muitas assistências. Já foram três delas em três jogos neste Mundial.
A capacidade de utilizar a canhotinha no jogo curto e de, sobretudo, achar passes nas costas das defesas combinam perfeitamente com o jogo de Haaland, conhecido por atacar espaços como poucos. Não bastasse o talento do jogador, uma falha recorrente da seleção brasileira tem relação direta com seu jogo.
Em confrontos como contra Marrocos, Japão e até a frágil seleção haitiana, o Brasil ofereceu generosos buracos entre sua defesa e o meio-campo. A recomposição defensiva nem sempre bem feita, a falta de agilidade de Casemiro e o espaçamento entre os setores são os principais fatores para este problema, como é possível notar, por exemplo, no gol marcado pelo Japão na última segunda-feira (29).
Oferecer este espaço ao capitão do Arsenal é um convite ao perigo. De nada adianta pensar em anular Haaland se o principal articulador adversário jogar livre.
Se os olhos dos torcedores brasileiros estão voltados ao craque do Manchester City, cabe a Ancelotti e sua comissão técnica moverem sua lupa para longe dos holofotes. Ali estará Martin Odegaard, a ameaça silenciosa da Noruega.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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