Onda de envenenamento de cães acende alerta em Conceição do Mato Dentro
Pelo menos 11 animais em situação de rua já vieram a óbito em menos de um mês no município
Uma série de envenenamentos a animais em situação de rua tem indignado moradores de Conceição do Mato Dentro. De acordo com informações, há o registro de, pelo menos, 11 óbitos de cães por ingestão de algum componente tóxico desde o dia 25 de julho.
Os cães que morreram nesse período apresentaram um mesmo padrão de sintomas: letargia, febre e após algumas horas, hemorragia.
No município, há a organização não governamental (ONG) Quatro Patas que atua na proteção de animais. Voluntária da entidade, Letícia Oliveira conta que três cachorros que ficam sob sua responsabilidade de forma peridomiciliar (não ficam em casa todo o tempo, mas tem uma referência de local para alimentar e dormir) morreram envenenados e que o corpo de um dos cães foi encaminhado para necropsia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e teve confirmação de envenenamento.
“Eu fiz o acompanhamento de uma cadela. Levei ao veterinário assim que constatei a morte do outro e associei que ela também estava lenta e com olhar sonolento. Ela chegou até o veterinário com febre. Ficou internada por mais de 30 horas. Chegou a apresentar melhora, mas, de repente, piorou muito. Ficou ofegante, com o sistema nervoso comprometido, fez xixi com sangue. Teve uma hemorragia pela boquinha e nariz e morreu. O pequeno, que morreu na véspera, eu também encontrei morto com uma poça de sangue perto da boca”, lamentou.
Nos últimos dias, a ONG Quatro Patas recebeu um pedido de ajuda de uma moradora por meio de rede social, mas, infelizmente, quando responderam, o animal já não havia resistido. “A moça também relatou que outros dois cães tinham morrido na mesma rua no dia anterior”, disse. Os sintomas eram os mesmos.
Crime ambiental
O município de Conceição do Mato Dentro divulgou no início deste mês números de um censo canino e felino realizado no mês de junho deste ano. Segundo o Departamento de Vigilância e Saúde, existem 5,2 mil animais, entre cães e gatos, na sede da cidade e na zona rural. Desse total, cerca de 140 cães e 140 gatos são considerados em situação de rua.
Procurado por DeFato Online, o Departamento de Vigilância e Saúde, por meio do veterinário Marco Paulo Sanches, afirmou que “nenhuma reclamação oficial chegou ao centro de zoonoses, mas que o possível quadro deveria ser repassado à polícia ambiental para investigação”.
A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605, de 12.02.1998 (Lei de Crimes Ambientais) e pela Constituição Federal Brasileira, de 05 de outubro de 1988. A legislação condena os atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A pena pode variar de três meses a um ano de prisão, além de multa.
O município ainda informou que tem desenvolvido ações para prevenir a raiva e a leishmaniose animal, com campanhas educativas, exames e vacinação. Ao todo, no período de 3 de julho a 2 de agosto, foram imunizados cerca de 7.200 animais, tanto na sede quanto na zona rural.




