Onde ideias viram negócios
Márcio Labruna: prazo de incubação das empresas será de no máximo três anos
No Brasil, 45% dos jovens que estão nas universidades pretendem abrir o próprio negócio, segundo um levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Muitos desses estudantes têm ótimas ideias, mas carecem de dinheiro e estrutura de apoio para colocá-las em prática. Para atender a esses potenciais empreendedores, surgem as incubadoras de empresas, que funcionam em parceria com entidades, poder público e instituições geradoras de conhecimento.
A incubadora de base tecnológica de Itabira é a Inovatec. Criada recentemente a partir de uma parceria entre Prefeitura, Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão de Itajubá (Fapepe), a instituição substituiu a Origem Incubadora, que atuou até o final do governo passado. A solenidade de assinatura aconteceu no início de outubro e os trabalhos já começaram.
Quem assumiu a direção da Inovatec é Márcio Labruna, aposentado da Vale e figura engajada em praticamente todas as discussões sobre desenvolvimento econômico do município. Labruna é de Belo Horizonte, mas mora em Itabira há várias décadas. Por aqui já exerceu cargos importantes em instituições de grande relevância social, como Hospital Nossa Senhora das Dores, Acita, Coopervale, Credivale e por aí vai. Também tem passagens pelo Sebrae e Fiemg, instituições dedicadas ao interesse empresarial. “É o que gosto de fazer”, diz.
Para ele, Itabira precisa definir bem sua vocação econômica e trabalhar ações concretas para promover a diversificação. Seu trabalho à frente da Inovatec é proporcionar aos empreendedores condições de amadurecer suas ideias e transformá-las em organizações tecnológicas e inovadoras, com capacidade de gerar riquezas para o município.
Itabira tem cerca de 4 mil universitários, contando alunos dos cursos presenciais e a distância, e a expectativa é de que esse número seja muito maior com a consolidação da Unifei. O foco da incubadora é estimular essas cabeças pensantes a inovar, empreender e contribuir para transformar Itabira na cidade do empreendedorismo tecnológico. Quem não é estudante, mas tem boas ideias, também é bem-vindo. Na Inovatec, uma equipe de consultores fará a análise de viabilidade de cada proposta e dará o parecer técnico. Terá espaço o projeto que valer investimento de tempo e recurso.
De acordo com Labruna, à medida que o trabalho for ganhando corpo, parcerias serão firmadas também com outras cidades, como São Gonçalo do Rio Abaixo, Santa Maria de Itabira e Viçosa. “Temos de pensar regional”, ressalta. Ainda este ano o edital para captação das ideias a serem incubadas será lançado. A partir de janeiro de 2014, a expectativa é de que pelo menos seis empresas comecem a se desenvolver e quatro sejam lançadas ao mercado anualmente. Como a incubadora está instalada no Itec, no mesmo local onde funcionou sua antecessora, o espaço é limitado. Daqui a alguns anos, se for concretizado o plano de transferir a Inovatec para o prédio onde atualmente funciona a Unifei, o trabalho ganhará outra dimensão.
Prazo para nascer
Durante a solenidade de assinatura do convênio e oficialização da Inovatec, o prefeito Damon Lázaro de Sena criticou o modelo de gestão da incubadora anterior. “Parece ovo choco”, disse na ocasião, referindo-se ao tempo gasto com o processo de incubação. No novo modelo, cada empresa terá de dois a três anos no máximo para nascer e começar a andar sozinha. Depois disso terá de dar espaço a novos embriões.
A incubadora será um elo entre os empreendedores que precisam tirar suas ideias do papel, a universidade que dará o suporte técnico-científico necessário, e os órgãos de fomento. “Ela vai colocar em prática o empreendedorismo e a inovação, com novos negócios que abrirão portas para o desenvolvimento”, disse o vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico, Reginaldo Calixto. “A Unifei traz para Itabira, por meio da Fapepe, um modelo de incubadora respeitado no país. Mais que permitir a educação, é preciso permitir que as incubadoras sejam geradoras de emprego e de novas tecnologias”, afirma Dagoberto Almeida, reitor da Unifei.
Aos 73 anos, Márcio Labruna tem experiência de sobra no setor privado e muita disposição para trabalhar. Recursos, na opinião dele, também não são problema. Resta, então, o surgimento das boas ideias para todo esse trabalho surtir efeito.