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Operação ‘Agosto Lilás’ mobiliza rede de proteção à mulher em Itabira até setembro

Foto: Jardel Mendes/DeFato

A Polícia Militar de Minas Gerais realizou nesta sexta-feira (1) o lançamento oficial da Operação “Agosto Lilás” em Itabira, na praça do Areão, no bairro Major Lage de Cima. A iniciativa, que integra as ações do mês Lilás de conscientização sobre os direitos das mulheres, tem como objetivo principal o enfrentamento à violência doméstica e familiar, além da prevenção ao feminicídio. A operação seguirá em todo o estado mineiro até o dia 4 de setembro de 2025.

O evento contou com a participação integrada da Polícia Civil, representantes do Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher (CREAM), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. A operação promove a articulação entre as forças de segurança e instituições parceiras, desenvolvendo ações voltadas para a prevenção, conscientização e fortalecimento da rede de proteção às vítimas de violência doméstica.

O Capitão Felipe Mucidas, salientou que serão realizadas “ações policiais preventivas, educativas e repressivas para reduzir os casos de violência contra mulheres”. A autoridade destacou a importância da colaboração da população, que pode fornecer informações sigilosas pelos canais oficiais (Disque 190 e 181). A Polícia Militar conta com a Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, equipe especializada que acompanha vítimas por meio de visitas e protocolos específicos para proteger sua integridade física e psicológica”.

Foto: Jardel Mendes/DeFato

A operação ocorre em um momento significativo, quando se completam 19 anos da Lei Maria da Penha (11.340/2006), sancionada em 7 de agosto de 2006. Considerada um marco na proteção dos direitos femininos, a legislação não apenas estabeleceu medidas mais rigorosas contra agressores, como também criou mecanismos integrais de proteção, abrangendo os eixos de prevenção, assistência e garantia de direitos.

As ações da Operação “Agosto Lilás” buscam sensibilizar a população sobre a importância do enfrentamento à violência de gênero, promovendo discussões sobre relacionamentos abusivos e formas de identificação de situações de risco. O evento também destacou o papel fundamental das delegacias especializadas no atendimento às mulheres e a necessidade de ampliar o acesso às redes de apoio disponíveis.

Foto: Reprodução

O delegado João Martins Teixeira, alerta que “a violência psicológica, frequentemente subestimada, costuma ser a porta de entrada para agressões mais graves. Os casos mais comuns envolvem ameaças e perseguição, principalmente após términos de relacionamento, quando há resistência masculina em aceitar a separação – reflexo do machismo estrutural que ainda objetifica as mulheres. A frase ‘se não for minha, não será de mais ninguém’ exemplifica essa mentalidade”. Nesses casos, as medidas protetivas têm se mostrado instrumentos eficazes para conter a escalada da violência em seus estágios iniciais, permitindo uma intervenção precoce das autoridades.

Autoridades presentes reforçaram que falar abertamente sobre violência doméstica é uma importante medida de proteção e prevenção, capaz de auxiliar mulheres que vivenciam relacionamentos abusivos ou qualquer forma de violência baseada em gênero. Além disso, a conscientização permite que as pessoas se tornem multiplicadoras dessas informações, podendo identificar e ajudar possíveis vítimas em seus círculos sociais.

Tatiana Gavazza, coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CREAM), atua como articulador de direitos, mantendo diálogo constante com diversos órgãos para garantir a proteção integral às mulheres. Por meio de reuniões de rede e discussões de casos (com total sigilo), a equipe multidisciplinar trabalha de forma integrada, entendendo que o enfrentamento à violência exige atuação conjunta. “A proposta central é fortalecer as vítimas para romperem o ciclo de violência, independente de seus relacionamentos. Os profissionais destacam que apenas uma rede articulada – e não um órgão isolado – pode oferecer respostas efetivas tanto para casos individuais quanto para transformar a sociedade como um todo”.

A Operação ‘Agosto Lilás’ representa mais um passo no combate à violência contra a mulher, reforçando o compromisso das instituições e da sociedade com a construção de uma cultura de respeito e igualdade de gênero.

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