Operação identifica mais de 12 mil hectares de desmatamento ilegal na Mata Atlântica
Fiscalização em 17 estados resulta em multas superiores a R$ 116 milhões; em Minas Gerais, área autuada passa de 4 mil hectares
A oitava edição da Operação Mata Atlântica em Pé apontou, entre os dias 15 e 26 de setembro, a supressão irregular de 12.327 hectares do bioma em 17 estados brasileiros. As ações de campo foram guiadas por 1.324 alertas emitidos pelo sistema MapBiomas, que utiliza imagens de satélite e drones para identificar focos de desmatamento. Até o momento, os autos de infração aplicados somam mais de R$116 milhões.
Em Minas Gerais, foram fiscalizados 100 polígonos, totalizando 4,2 mil hectares de área autuada. O trabalho resultou em R$ 26,8 milhões em multas, além da apreensão de maquinário — uma escavadeira, uma carregadeira e duas motosserras — e na prisão em flagrante de duas pessoas. O estado foi o que concentrou maior extensão de áreas fiscalizadas, seguido por Piauí (1.689 ha) e Ceará (1.506 ha).
Segundo os organizadores, em apenas dez dias de operação foi praticamente alcançado o total de desmatamento ilegal registrado ao longo de 2024, estimado em 13.472 hectares pelo Relatório Anual do Desmatamento (RAD). O levantamento nacional considera também 2,8 mil hectares de perda de vegetação provocada por eventos climáticos extremos, como os do Rio Grande do Sul.
A operação é coordenada nacionalmente pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica. Participaram desta edição os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
Durante a apresentação dos resultados em Belo Horizonte, o promotor Alexandre Gaio, do Ministério Público do Paraná e coordenador da operação pela Abrampa, destacou que a iniciativa se consolidou como ferramenta permanente de fiscalização. Para ele, o trabalho conjunto demonstra que é possível “cobrir praticamente a totalidade do desmatamento ilegal no bioma e avançar na sua recuperação”.
O promotor Rauali Kind Mascarenhas, que atua no MPMG, lembrou que cerca de 120 milhões de brasileiros dependem da água fornecida por mananciais localizados na Mata Atlântica. Ele explicou que a operação é dividida em quatro fases: levantamento das áreas, identificação dos proprietários, fiscalização presencial e responsabilização judicial, que inclui a reparação dos danos.
Especialistas convidados também apresentaram análises técnicas. Marcos Rosa, do MapBiomas, discutiu a dinâmica recente do desmatamento; Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica, falou sobre avanços na conservação; a juíza federal Rafaela Santos Martins Rosa abordou indenizações por danos climáticos; e Lívia Laureto, do IPAM, apresentou a Calculadora de Carbono, ferramenta que estima emissões de gases de efeito estufa ligadas à mudança no uso da terra.
Com o uso de satélites e drones, a operação busca dar agilidade e precisão à fiscalização. Quando os ilícitos ambientais são confirmados, os responsáveis podem ser responsabilizados nas esferas cível, criminal e administrativa, com impactos inclusive em registros de propriedades rurais e na concessão de crédito agrícola.
*Com informações do MPMG.




