Operação prende suspeito em BH e mira rede que abastecia furto de celulares em grandes eventos

Investigação aponta que homem de 31 anos, localizado no Buritis, comprava aparelhos roubados em festas pelo país

Operação prende suspeito em BH e mira rede que abastecia furto de celulares em grandes eventos
Foto: Divulgação/PCMG

Um homem de 31 anos foi preso em Belo Horizonte durante uma operação que investiga uma rede criminosa ligada ao furto de celulares em grandes eventos pelo Brasil. A ação, batizada de Linha Cruzada, é resultado de uma atuação conjunta entre as polícias civis de Minas Gerais, do Paraná e de Santa Catarina.

Segundo a investigação, o suspeito localizado no bairro Buritis, na região Oeste da capital, não atuava apenas como receptador. Para os delegados envolvidos no caso, ele ocupava uma posição central na engrenagem do grupo, comprando aparelhos furtados em festas e financiando parte da logística usada pelos autores dos crimes.

As apurações começaram em maio de 2025, no Paraná, depois que vítimas procuraram a polícia para relatar furtos de celulares durante eventos com grande concentração de público. Os depoimentos apontavam um mesmo padrão. As pessoas percebiam, já no meio da festa, que os aparelhos tinham desaparecido de bolsas, mochilas ou bolsos.

Com o avanço da investigação, os policiais chegaram a dois primeiros nomes e, a partir daí, identificaram uma estrutura mais ampla. O cruzamento das informações levou os agentes até Belo Horizonte, onde foi apontada a existência de um grande comprador desses aparelhos, responsável por receber celulares furtados não só do Paraná, mas também de outros estados e de Minas Gerais.

De acordo com a Polícia Civil, o homem preso em BH mantinha o esquema em funcionamento ao investir dinheiro em viagens, passagens e ingressos para integrantes da quadrilha que circulavam por grandes eventos. A estimativa apresentada na coletiva é de que ele chegava a colocar cerca de R$30 mil por evento nessa operação, recebendo depois lotes com dezenas de celulares.

Depois dos furtos, os aparelhos eram encaminhados a Minas. A polícia afirma que, já em posse dos telefones, o grupo usava técnicas de engenharia social para tentar obter as senhas das vítimas. Os contatos eram feitos por integrantes da rede que se passavam por policiais ou recorriam a intimidações para convencer os donos dos aparelhos a liberar o acesso.

Com isso, os investigados conseguiam não apenas revender os celulares, mas também acessar conteúdos bancários, solicitar empréstimos e praticar outros crimes antes de colocar os aparelhos no mercado. Segundo os delegados, esse modelo ampliava o lucro da associação criminosa e elevava o prejuízo das vítimas.

Além da prisão em Belo Horizonte, a operação teve desdobramentos em outros estados. Um homem que já estava preso em São Paulo por furtos de celulares em eventos também teve mandado cumprido no âmbito dessa investigação. Em Santa Catarina, uma mulher foi presa por suspeita de integrar a mesma rede.

Em Minas Gerais, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte e Ribeirão das Neves. Dois carros de luxo foram apreendidos no Buritis e serão analisados no inquérito, inclusive sob a suspeita de possível lavagem de dinheiro.

Outros dois homens foram levados ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio para prestar esclarecimentos sobre o uso de aparelhos que teriam feito contato com vítimas para tentar obter senhas. Segundo a Polícia Civil, eles foram ouvidos, e a apuração ainda vai definir se há elementos para vincular os dois ao esquema.

O investigado preso em Belo Horizonte já tinha passagens por receptação, furto e estelionato, de acordo com a polícia. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e medir a dimensão nacional da rede.