Os churros da esperança

Barraca de churros fica sempre movimentada

Os churros da esperança
Esperança. Esse é o sentimento que tem direcionado a vida da ex-moradora do bairro Drummond e atualmente vendedora de churros, Rosiane Souza, de 29 anos. Há 13 anos morando em Itabira (oito desses no aglomerado), a simpática vendedora é casada e mãe de quatro filhos: uma menina de sete anos, dois gêmeos de três e outro de cinco meses. 

Com um tom de voz tranqüilo, Rosiane fala de sua história de superação. O único assunto capaz de tirar seu sorriso do rosto é quando conta da ação de despejo sofrida no dia 2 de agosto. Neste momento, ela se emociona. “Eu tinha perdido a casa, a creche e também a auto-estima, me senti inútil perante a situação”, revela Rosiane.

Ela conta das dificuldades, inclusive, quando comprou o terreno no “Sem-terra”, para sair do aluguel. No bairro, ela trabalhava como faxineira. Até que se viu obrigada a sair, junto de outros moradores, cumprindo a ordem de despejo. Após a desocupação, a sogra da vendedora, que já trabalhou vendendo esse doce em outra cidade, resolveu comprar uma máquina de fazer churros para que a nora tivesse uma nova oportunidade de se reerguer.

Sem medo de tentar

Com um espírito empreendedor, Rosiane não pensou duas vezes para tomar a decisão de vender um tipo de doce do qual na cidade não existe concorrência. “Eu poderia ficar parada, me lamentando, mas preferi arregaçar as mangas. Não tive medo de dar errado, pois sou comunicativa e já trabalhei com o público”, comenta. E ela agiu como uma verdadeira empreendedora. Observou desde a escolha do ponto para atuação até a entrada com o pedido de licença para funcionamento junto à Vigilância Sanitária de Itabira. “Se o negócio der certo, pretendo ampliar”, diz.

Dona Florinda

Há aproximadamente um mês, quem passa pela João Pinheiro no período da tarde, pode se deliciar com churros de dois sabores: chocolate e doce de leite. E a clientela só vem crescendo, tanto que já fez várias amizades através da venda da quitanda. “Muitos me chamam de tia e até de dona Florinda. Mas levo na esportiva. Outros sentam, batem papo e perguntam pelos meus filhos”, conta, sorridente.

A vendedora fala de esperança: “Melhorar minhas condições com a venda dos churros e conseguir minha casa própria. Para mim é levantar a poeira e bola pra frente. Faço isso pelos meus filhos. Tenho esperança de melhorar”, conclui.  

A barraca de churros fica em frente à loja Magazine Luiza, de segunda à sexta-feira, das 14h30 às 20h. Aos sábados, de 9h30 às 14 horas.