Ouro que já brilhou em Itabira continua a iluminar produção cultural no resto do mundo
Como tantas outras cidades mineiras, Itabira foi testemunha e beneficiária do ciclo de ouro que durou até os últimos anos do século XVIII
A busca do ser humano pelo brilho parece ser algo instintivo. É algo que parece servir de oposição ao medo (quase) natural pelo escuro, que se acredita ter sido desenvolvido por nossos antepassados uma vez que a escuridão muitas vezes esconde perigos totalmente inesperados.
Esse brilho se demonstra através de várias formas e objetos. A luz do sol é a forma mais conhecida, assim como a eletricidade hoje indispensável para as nossas vidas. Mas não se pode ignorar também o brilho que o ouro, tão chamativo, valorizado e consequentemente explorado ao longo da história, emite quando a luz reluz sobre o minério amarelo.
Itabira conhece muito bem o ouro, uma vez que a ocupação da região que hoje faz parte da cidade começou a partir da descoberta do minério precioso nos morros e montanhas da localidade, durante o século XVIII. Como tantas outras cidades mineiras, Itabira foi testemunha e beneficiária do ciclo de ouro que durou até os últimos anos do século XVIII, com a exploração do ferro vindo logo depois do evento.
E até hoje, o ferro tem sido o elemento principal da dinâmica economia de Itabira e adjacências. Ainda assim, suas riquezas tanto físicas quanto culturais – com a última incluindo a “eternalização” da cidade através dos poemas de um de seus filhos mais ilustres e também mais celebrados, Carlos Drummond de Andrade – está fortemente ligada ao ouro.
Brilho refletido em âmbito cultural
O ouro é importante não só para Itabira e Minas Gerais, mas também para tantas outras localidades no Brasil e no mundo. O minério é parte de histórias e motivador de aventuras desde os tempos sumérios, há três milênios antes de Cristo.
Não por menos que o ouro acaba sendo também parte de várias obras culturais notáveis. Tramas que muitas vezes envolvem a busca pelo metal que foi uma das grandes motivações por trás das explorações marítimas que trouxeram portugueses, espanhóis, ingleses e franceses às Américas, em busca de encherem os cofres de suas respectivas coroas no contexto de mercantilismo e saldos positivos na diferença entre entrada e saída de moedas.
Os filmes sobre a corrida do ouro estadunidense, que motivou a expansão do território dos Estados Unidos rumo ao oeste, é uma temática bem comum em filmes antigos. Entre estes encontram-se clássicos como “Em Busca do Ouro”, filme de 1925 dirigido e estrelado por Charles Chaplin, que hoje se encontra licenciado pela Criterion. A trama trata da aventura de Carlitos no Alaska em 1898, quando o “vagabundo” corre atrás de uma riqueza presumidamente fácil no papel, mas muito mais difícil de ser alcançada na prática.
Existem vários videogames cujo um dos grandes focos é a busca pelo ouro, e também o seu acúmulo ao longo do tempo. Neste quesito destacam-se jogos como os RPGs multiplayer online, desde World of Warcraft da Blizzard até Ragnarok Online, desenvolvido pela companhia coreana Gravity. E também os jogos de estratégia onde o jogador comanda impérios e nações inteiras, caso da série Civilization da 2K Games, e a série Crusader Kings da Paradox.
Outros ramos do entretenimento tem o ouro como uma temática de lugar-comum. Dentro do mundo de cassinos físicos e também virtuais, são vários os jogos que lançam mão de identidade audiovisual associada ao ouro. Estes incluem Viking’s Gods Gold e Kings of Gold, disponibilizados na Unique Casino – que é considerada pela Casinos.pt uma das melhores casas de jogo da internet, por conta de sua reputação como um espaço seguro, justo e também acessível. O primeiro jogo associa os famigerados vikings da Escandinávia e de outras regiões da Europa ao metal precioso; enquanto que o segundo apresenta temática egípcia, relembrando um dos primeiros povos que viram no ouro uma capacidade de se tornar muito mais do que objetos de adorno.
O mundo musical não fica muito atrás. Além das associações óbvias como os discos de ouro, que são premiados até hoje aos artistas que conseguem atingir um número notável de vendas de discos e de singles, o ouro é um tema bem comum entre músicas de antigamente e dos dias atuais. A música “Gold” de Chet Faker, alcunha do artista australiano Nick Murphy, foi tema de apresentação do MacBook da Apple em 2015. E não se pode esquecer de um dos clássicos do canadense Neil Young, “Heart of Gold”, que embala rádios mundo afora desde 1972.
Precioso e apreciado
O ciclo do ouro acabou no Brasil e no resto das Américas há séculos. Mas a sua escassez também o deixou cada vez mais precioso, ainda mais em contextos de insegurança econômica e de mercados financeiros cada vez mais integrados.
Hoje as maiores minas de ouro do mundo encontram-se em lugares que os exploradores antigos não haviam chegado. Estes incluem o Uzbequistão, a Rússia e a Papua-Nova Guiné, onde algumas destas minas se encontram.
Os traços do ouro dificilmente se apagam, tanto nas minas onde ele ainda é encontrado, quanto nos lugares que um dia surgiram e se desenvolveram através de sua exploração. Itabira acaba sendo um exemplo especial nesse sentido, como uma cidade que conseguiu se manter relevante em âmbito econômico após o declínio do seu maior bem.




