Ovo, cacau e café são os novos vilãos da economia

O governo aponta justificativas para o excessivo aumento de preço destas mercadorias: mudanças climáticas, safra ruim e alta do dólar

Ovo, cacau e café são os novos vilãos da economia
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Os preços dos alimentos tiveram consistentes aumentos nos últimos meses. E não param de subir. O instituto Genial /Quaest divulgou uma pesquisa sobre o panorama no último domingo (23). O levantamento mostrou que oito entre dez brasileiros, de todas as classes socais, perceberam o crescimento da inflação dos gêneros alimentícios.

Os produtos que mais têm impactado nos bolsos dos consumidores são cacau (matéria prima do chocolate), ovo, café e azeite. O governo aponta algumas justificativas para os excessivos reajustes nos custos destas mercadorias: mudanças climáticas, safra ruim e alta do dólar.

Confira o motivo da existência destes vilãos:

Cacau

Uma baixa recorde da produção no exterior provocou a elevação do preço internamente. Além disso, o Nordeste, a região típica do cultivo do cacau, passa por um período de intensa aridez do solo, uma situação adversa para o cultivo da fruta, cujas sementes se desenvolvem em climas úmidos.

A Organização Internacional do Cacau informou também que a acentuada queda na oferta global foi provocada por uma crise agrícola em Gana e Costa do Marfim, países responsáveis por 54% do abastecimento mundial.

As mudanças climáticas e a doença da vagem negra reduziram em 20% as colheitas nas nações africanas.

A Organização Internacional do Cacau explicou que os preços subiram porque a oferta ficou abaixo da demanda.

Ovo

O ovo alcançou o maior valor em 22 meses. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a caixa com 30 dúzias subiu de R$ 134 para R$ 227, ou um acréscimo de 61% no período.

O calor intenso, proximidade da quaresma e o preço do milho provocaram está elevação no custo.

“Quando ficam expostas ao calor, as aves compensam o estresse térmico usando energia extra para regular a temperatura do corpo. A consequência é a queda de 5% a 10% na produção de ovos”, avalia Tabatha Lacerda, diretora administrativa do Instituto Ovos Brasil.

Café

De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), cada saca dos cafés arábica e robusta foi negociada por R$2.666, 28 e R$ 2.074,71 respectivamente, no começo deste mês.

A inflação do café foi provocada por fatores climáticos desfavoráveis como secas, geadas, chuvas e um el niño rigoroso.

“Já estamos há praticamente quatro safras no Brasil sem a renovação de recorde de produção”, lamenta Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Cepea.

O Vietnã, segundo maior produtor do mundo, atrás apenas do Brasil, enfrenta o mesmo cenário brasileiro. “Como o consumo global não caiu, houve uma menor oferta e, consequentemente, redução de estoques. Se você tem pouca oferta, os preços sobem”, avalia Ribeiro.

*Fonte: UOL