Padre é exonerado de Igreja em Monlevade e revolta fiéis
Padre José Felipe foi exonerado de suas paróquias
O cenário religioso em João Monlevade está quente. Depois de toda polêmica envolvendo a retirada do crucifixo do plenário da Câmara pelo presidente Pastor Carlinhos (PV), a bola da vez é a exoneração do pároco da Igreja São José Operário, José Felipe Bastos. Católicos da região do Centro Industrial, na parte velha da cidade, estão revoltados, principalmente porque há muitos desencontros de informações. Há, inclusive, o boato de que o padre não teria recebido o sacramento da ordem, o que é negado pelo religioso. Os fiéis não aceitam e afirmam que a saída do vigário é fruto de inveja de outros padres da cidade.
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A informação da exoneração foi repassada pelo padre Carlos Jorge Teixeira, na última quarta-feira, 13 de abril, durante uma celebração na Igreja Nossa Senhora de Fátima, no bairro Vila Tanque, que também tinha José Felipe como pároco. A divulgação da carta de renúncia do religioso pegou a todos que estavam na missa de surpresa. Imediatamente, os fiéis foram para a Casa Paroquial do Centro Industrial, para saber o que estava acontecendo.
A carta apresentada à comunidade foi escrita a próprio punho pelo padre José Felipe e, por meio dela, ele conta que “foi um tempo de muito trabalho, oração e aprendizado”. No fim, o religioso diz que deixa as igrejas “com pesar, mas com esperança no amanhã”. Apesar de o documento ser manuscrito, o ex-pároco do principal cartão postal de João Monlevade garante que não sabe o motivo de sua exoneração e que apenas foi informado pelo bispo da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano, dom Odilon Guimarães Moreira, que estava fora e deveria retornar À Igreja da Boa Viagem, em Belo Horizonte, onde estava antes de chegar a Monlevade.
Também por meio de uma carta, o bispo se dirigiu aos monlevadenses. Ele disse que o pedido partiu do próprio padre e que era grato a tudo o que José Felipe realizou nas igrejas que administrava, segundo ele, em caráter experimental. O padre garante que não pediu para sair. Dom Odilon não quis apresentar justificativas e negou que o motivo da exoneração fosse uma suspeita de que o religioso não seria ordenado. José Felipe afirma que é ordenado e que as fotos da celebração podem provar isso.
Fiéis indignados
Os fiéis, principalmente os que frequentavam as igrejas que tinham missas presididas por José Felipe, não aceitaram a saída do padre. Na tarde dessa quinta-feira, 14 de abril, a Igreja de São José Operário estava em luto. Uma faixa preta foi envolvida por todo o templo religioso. Cerca de cem católicos vestiram roupas pretas e protestaram. Eles acusavam outros padres da cidade, especialmente Carlos Jorge e Marcos Rosa, de terem articulado a saída de José Felipe por causa de inveja. O argumento deles era de que as missas nas igrejas do pároco exonerado estavam atraindo fiéis de outras paróquias.
Na noite de quinta, José Felipe iria celebrar uma missa de despedida, com a Benção do Santíssimo (proposta dele para todas as quintas), mas, depois de 15 minutos de celebração, recebeu uma ligação do bispo e foi obrigado a interrompê-la. Os padres Marcos e Carlos Jorge não quiseram comentar o assunto, mas negaram qualquer participação na saída de José Felipe.
José Felipe é monlevadense, mas passou grande parte de sua vida sacerdotal em São Paulo, antes de vir para Belo Horizonte. Ele estava em sua terra natal há cerca de três meses. Suas principais propostas estavam atreladas à recuperação da São José Operário, tanto pelo lado religioso quanto pelo físico. O pároco já havia conseguido a restauração do templo e a presença de mais fiéis nas missas, que andavam cada vez mais vazias.