Papa Leão XIV diz que o Vaticano não pode se posicionar sobre acusações de genocídio em Gaza
Leão XIV destacou na entrevista que é horrível ver as imagens que vemos na televisão
O Papa Leão XIV, em entrevista nesta quinta-feira (18), à jornalista americana Elise Ann Allen, como parte do livro Leão XIV: cidadão do mundo, missionário do século XXI, disse que o termo genocídio está sendo usado cada vez mais, e que a Santa Sé não pode se posicionar para dizer que Israel está cometendo genocídio na Faixa de Gaza.
“Oficialmente, a Santa Sé não acredita que possamos nos pronunciar sobre isso no momento. Há uma definição muito técnica do que seria genocídio, embora cada vez mais pessoas levantem essa questão”, disse o papa norte-americano que também tem cidadania peruana.
Investigadores independentes que colaboram com a a Organização das Nações Unidas (ONU), afirmaram, na terça-feira (16), que Israel está cometendo genocídio na Faixa de Gaza com o objetivo de destruir palestinos, o que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nega com veemência.
O pontífice, no entanto, admite a frustração de ver que até os Estados Unidos não conseguem demover Israel do combate ostensivo e permitir uma forma eficiente para aliviar a situação humanitária em Gaza, onde a ONU denuncia situação extrema de fome.
“Apesar de algumas declarações muito claras do governo dos Estados Unidos, e recentemente do presidente Trump, não houve uma resposta clara para encontrar formas eficazes de aliviar o sofrimento das pessoas, do povo inocente de Gaza, e isso é, obviamente, motivo de grande preocupação”.
Leão XIV destacou na entrevista que é horrível ver as imagens que vemos na televisão. “Não podemos ignorar isso. De alguma forma precisamos continuar pressionando, tentando alcançar uma mudança lá”.
Na quarta-feira, após sua audiência geral no Vaticano, o papa manifestou solidariedade aos civis de Gaza, denunciando que mais uma vez foram deslocados de maneira forçada devido a ofensiva israelense na Cidade de Gaza.
“Transmito minha profunda solidariedade ao povo palestino de Gaza, que continua vivendo com medo e sobrevivendo em condições inaceitáveis”.
Embora mantendo neutralidade, o Vaticano reconhece a Palestina com Estado e propõe a existência de dois Estados como solução para o conflito, e pede um cessar-fogo e saída diplomática.
Israel já matou mais de 65 mil palestinos em Gaza, em sua maior parte civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas, que a ONU considera confiáveis.
*Fonte: Carta Capital




