Papa Leão XIV faz apelo por respeito à vontade popular e aos direitos humanos na Venezuela
Baseando sua reflexão na obra “A Cidade de Deus”, de Santo Agostinho, Leão XIV caracterizou o momento global
Durante audiência com o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, realizada na manhã desta sexta-feira (9), o Papa Leão XIV manifestou preocupação com a situação política e social da Venezuela e fez um apelo direto ao respeito à vontade popular e aos direitos humanos no país.
Baseando sua reflexão na obra “A Cidade de Deus”, de Santo Agostinho, Leão XIV caracterizou o momento global como “tão conturbado por um número crescente de tensões e conflitos” e criticou a substituição do diálogo por uma “diplomacia da força”. No entanto, foi ao abordar as crises no continente americano que o Papa dedicou atenção especial à Venezuela.
“Renovo o apelo ao respeito pela vontade do povo venezuelano e ao empenho na defesa dos direitos humanos e civis de todos e na construção de um futuro de estabilidade e concórdia”, afirmou Leão XIV. O Pontífice ainda pediu que a inspiração para superar a crise seja haurida “no exemplo dos seus dois filhos que tive a alegria de canonizar em outubro passado, José Gregorio Hernández e Irmã Carmen Rendiles, a fim de construir uma sociedade baseada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, e assim superar a grave crise que há muitos anos aflige o país”.
O apelo pela Venezuela foi feito no contexto de uma ampla crítica à fragilidade do multilateralismo e ao que o Papa chamou de “curto-circuito” dos direitos humanos. Antes de mencionar o país, Leão XIV havia manifestado preocupação com outras tensões na região, incluindo as do Mar do Caribe, da costa americana do Pacífico e a situação do Haiti.
O discurso também abordou outros focos de conflito global. O Papa reafirmou a urgência de um cessar-fogo imediato na Ucrânia e defendeu a solução de dois Estados para o conflito na Terra Santa. Além disso, mencionou as crises em Mianmar, na região africana dos Grandes Lagos, no Sudão e no Sudão do Sul, reforçando o papel da Santa Sé como voz mediadora e defensora do diálogo em um cenário internacional marcado por polarizações.




