Papais Noéis anônimos

A funcionária do Correio, Grasiely Oliveira, em meio às cartas recebidas: trabalho é proporcional à gratificação

Adilson escreveu uma cartinha para o Papai Noel pedindo mochila e tênis novos porque gosta muito de estudar, mas quando chove precisa ir a pé para a escola. Tamires tem 3 aninhos e conta com a ajuda da mãe para contar pedir uma cesta básica. Ana Carolina e o irmãozinho cansaram-se de almoçar na cama e sonham com um jogo de mesinha e cadeiras. Jordana quer ganhar uma boneca junto com um cartãozinho. Ikaro ficará feliz com uma caixa de bombom, um carrinho controle remoto, uma revistinha da Turma da Mônica ou um DVD do Bob Esponja.
 
Todos esses pedidos estão dentro de uma caixa de papelão na agência dos Correios de Itabira. A caixa é pequena para o volume de cartas que chegam e para o tamanho da esperança das crianças que escrevem para o bom velhinho. De acordo com José Mauro Bicalho, gerente da Agência dos Correios de Itabira, o projeto Papai Noel dos Correios permite uma integração da empresa com a comunidade, que apadrinha as crianças comprando os presentes que serão posteriormente entregues pelos carteiros.
 
Todas as cartas endereçadas ao Papai Noel são lidas pelos funcionários dos Correios e cadastradas uma a uma para depois serem disponibilizadas para apadrinhamento. Para participar, a criança tem que ter menos de 12 anos e pertencer a família de baixa renda. É permitida uma carta por criança e até quatro cartas com o mesmo endereço. Até agora, já foram recebidas mais de 2.500 cartas, o triplo do ano passado. "O projeto vem crescendo muito. Nossa expectativa é que pelo menos 90% das crianças recebam presentes, sendo que aproximadamente 800 cartas já foram apadrinhadas", conta José Mauro.
 
As crianças têm até o dia 5/12 para entregarem as cartas nos Correios. Os padrinhos devem deixar o presente na agência até o dia 15/12 ou entregar direto na casa da criança antes do Natal.
 
Pedidos atendidos
Grasiely Oliveira, coordenadora do Projeto em Itabira, conta que a maioria pede coisas simples como bonecas, carrinhos, cestas de chocolate, roupas, sapatos e material escolar. Tem aqueles que sonham um pouco mais alto e colocam o Papai Noel em saia justa pedindo computadores, bicicletas, vídeo games e celulares. Há ainda as cartas que fogem aos objetivos do projeto e são descartadas, como a da criança de três anos estava pedindo dez sacos de cimento. "Os presentes não podem ultrapassar 30 kg e devem ser objetos infantis. Colchões, móveis, televisão e eletrodomésticos não serão colocados para apadrinhamento", explica a voluntária Ana Luiza Bicalho, que auxilia no projeto. José Mauro confirma que presentes de valores muito alto ou pesados demais correm o risco de não serem atendidos. "Tem que caber no saco e no bolso do Papai Noel", avisa.
 
O aposentado Magno Almeida vai aos Correios buscar as cartas há três anos. Escolhe aquelas cujas histórias o sensibilizam. A babá Conceição Maciel escolheu pela originalidade a carta de uma criança de nove anos que pedia um relógio, um rádio e um galo: tudo isso para acordá-lo no horário da escola. José Mauro também apadrinhou um pedido com forte apelo emocional. "Um garoto de seis anos queria um gato. Resolvi encomendar o bichinho e vou entregá-lo pessoalmente. Já até batizamos de Sedex".
 
Depois da reportagem, 17 cartas foram levadas para a DeFato e apadrinhadas pelos funcionários