Para além das homenagens: Dia da Mulher marca conquistas históricas, mas também desigualdade e violência

Mais de um século após as primeiras mobilizações, o 8 de março ainda convida à reflexão sobre avanços e desafios

Para além das homenagens: Dia da Mulher marca conquistas históricas, mas também desigualdade e violência
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), é frequentemente marcado por homenagens, flores e mensagens de carinho. Mas a data nasceu de um contexto de luta por direitos básicos, como melhores condições de trabalho, igualdade salarial e participação política.

O Dia Internacional da Mulher tem origem nas mobilizações de trabalhadoras no início do século XX por melhores condições de trabalho. A criação da data foi proposta em 1910, durante uma conferência de mulheres em Copenhague, e posteriormente reconhecida oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975.

Desde então, as mulheres conquistaram avanços importantes, como maior participação no mercado de trabalho e presença crescente na política e em outros setores. No Brasil, leis como a Maria da Penha (2006) e a do Feminicídio (2015) ampliaram a proteção e os direitos das mulheres.

Desigualdes e violência

Apesar dos avanços, os números mostram que a igualdade de gênero ainda está distante de se tornar realidade. No Brasil, as mulheres continuam assumindo a maior parte do trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) indicam que elas dedicam, em média, 21,3 horas semanais a essas atividades, enquanto os homens gastam cerca de 11,7 horas — quase o dobro de tempo.

Esse trabalho inclui tarefas como cuidar de filhos, familiares idosos e da organização da casa, atividades essenciais para o funcionamento da sociedade, mas que permanecem majoritariamente invisíveis e não remuneradas.

Outro desafio que permanece evidente é a violência contra as mulheres. Dados recentes apontam que o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado na legislação brasileira.

O dado equivale a cerca de quatro mulheres assassinadas por dia no país em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados pela condição de gênero. Quando consideradas também as tentativas de feminicídio, o número de vítimas chega a 6.904 casos em 2025, revelando que a violência contra as mulheres ainda representa um grave problema social no país.

Exemplo de luta e consciência 

Para a influenciadora e mentora de mulheres Michele Nunes, de João Monlevade, a data deve ir além das homenagens e ser encarada como um momento de reflexão e mobilização.

Segundo ela, celebrar o Dia Internacional da Mulher é importante, mas o principal significado da data está na luta por igualdade e reconhecimento. “É muito importante celebrar esse Dia Internacional da Mulher, mas trazendo esse movimento mesmo de lutar pela igualdade, mostrar para as mulheres o quanto elas devem se amar, se respeitar, se valorizar”, afirma.

Michele também chama atenção para a violência de gênero, um dos problemas mais graves enfrentados pelas mulheres atualmente. Para ela, o aumento dos casos de feminicídio reforça a necessidade de mobilização coletiva. “A quantidade de feminicídios que tem acontecido e aumentado cada vez mais está absurda. O Dia Internacional da Mulher é só a ponta do iceberg. Ainda tem muita coisa a ser feita”, destaca.

Ela acredita que a transformação passa tanto pelo fortalecimento das mulheres quanto pela participação dos homens no enfrentamento à violência e na construção de relações mais igualitárias. “É importante que as mulheres saibam o quanto são importantes e lutem pelos seus sonhos, mas também que os homens se engajem nessa luta de combate à violência contra as mulheres”, diz.

Mais de um século após as primeiras mobilizações femininas, o 8 de março continua sendo um momento de reflexão sobre avanços importantes, mas também sobre desafios que ainda persistem.