Para ex-ministro, mineração em Minas não é escolha, é destino
Paulo Paiva participou de uma roda de conversa promovida pela Vale em Itabira
A Vale promoveu mais uma edição da Roda de Conversa em Itabira, com membros da imprensa local, para discutir o papel da mineração no desenvolvimento das cidades, do estado e do país. O encontro, que aconteceu nesta segunda-feira 9, na Casa de Hóspedes da Vale, foi com o renomado professor e ex-ministro do Trabalho e do Planejamento, Paulo de Tarso de Almeida Paiva.
Para o professor, a mineração não é escolha para Minas; é destino. A conversa, que tratou do tema a nível estadual, nacional e internacional, foi dividida em quatro partes: Mineração e desenvolvimento; A nova classe média e o consumo: perspectivas para o futuro; Mineração e sustentabilidade; e Criação de valor compartilhado.
Mediado pelo jornalista e economista João Carlos Firpe Penna, o debate não era especificamente sobre a Vale, mas os questionamentos sobre a atuação da mineradora em Itabira foram inevitáveis. Ainda mais que o gerente-geral da empresa na cidade, Fernando Carneiro, estava no encontro.
Fernando respondeu a alguns questionamentos e se posicionou frente a comentários feitos pelos convidados. Ele chegou até a citar algumas ações que a empresa está desenvolvendo visando o bem-estar da população de Itabira, mas de maneira bem superficial. O assunto será tratado a fundo em uma coletiva de imprensa provavelmente em janeiro.
Sobre o tema proposto, Paulo Paiva expos, com otimismo, sua visão sobre mineração e desenvolvimento. De acordo com ele, há quem defenda a mineração como um trampolim (locomotiva, máquina…) para o desenvolvimento. Outros acham que a atividade é um setor atrasado (perdedor, enclave…). Mas a visão realista, na opinião do ex-ministro, é bem mais ponderada. A mineração, embora enfrente desafios, tem condições de proporcionar oportunidades e fazer avançar o desenvolvimento.
No caso de Minas Gerais, a atividade é o pilar do crescimento e a mola mestra das exportações. Itabira, Nova Lima e São Gonçalo do Rio Abaixo são algumas cidades que pesam positivamente a balança comercial do país. E o setor tem incorporado avanços tecnológicos e apresentado ganhos expressivos de produtividade. Em Itabira, o projeto Conceição Itabiritos, da Vale, é um exemplo. A empresa desenvolveu uma tecnologia própria que permite o aproveitamento do minério de ferro de baixo teor que, depois de implantada também na usina do Cauê, vai elevar a produção da empresa na cidade para R$ 55 milhões de toneladas por ano.
Currículo
Paulo Paiva é mestre em Demografia pela University of Pensylvania, professor da Fundação Dom Cabral; ex-presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), 2007; ex-secretário de Transportes e Obras Públicas do Estado de Minas, 2006; vice-presidente de Planejamento e Administração do BID, 1999-2004; e ex-ministro de Planejamento e Orçamento, 1998-99; e do Trabalho, 1995-98.