Parque das Mangabeiras pode ser reconhecido pela Unesco como geoparque em Belo Horizonte
Candidatura apresentada em Paris prevê resposta em 2026 e amplia debate sobre preservação da Serra do Curral
O Parque das Mangabeiras, localizado na região Centro-Sul de Belo Horizonte, pode se tornar o primeiro geoparque reconhecido pela Unesco em uma capital brasileira. A proposta foi apresentada neste mês pela prefeitura da capital e pelo Instituto Espinhaço durante agenda na sede da organização, em Paris, e aguarda avaliação que deve ser concluída ao longo de 2026.
De acordo com a definição da Unesco, um geoparque é um território com limites definidos e relevância geológica, ambiental e científica, capaz de contribuir para o desenvolvimento local aliado à preservação. No caso de Belo Horizonte, o reconhecimento envolveria diretamente a área do Parque das Mangabeiras, situado aos pés da Serra do Curral, formação que integra o início da Cordilheira do Espinhaço, já reconhecida como Patrimônio Mundial.
A candidatura é vista por especialistas como um instrumento adicional de proteção à serra, historicamente pressionada por atividades de mineração e por interesses do setor imobiliário. Investigações recentes da Polícia Federal apontaram esquemas de extração ilegal de minério de ferro na região, com impactos ambientais expressivos e prejuízos estimados em centenas de milhões de reais. Nesse contexto, o título internacional pode fortalecer mecanismos de preservação e vigilância sobre a área.
Para ambientalistas e pesquisadores, o valor do parque está associado à biodiversidade, aos recursos hídricos e à função de corredor ecológico em meio ao tecido urbano. O Parque das Mangabeiras concentra espécies típicas do Espinhaço e cumpre papel relevante na manutenção de áreas verdes em uma capital densamente ocupada. Também é apontado como espaço estratégico para educação ambiental e pesquisa científica.
Além da candidatura do parque, a agenda apresentada em Paris incluiu projetos voltados ao desenvolvimento sustentável de Belo Horizonte, como a preservação da lagoa da Pampulha e a proposta de criação de um cinturão verde na capital e na Região Metropolitana. Segundo os proponentes, a intenção é integrar políticas ambientais municipais a diretrizes internacionais voltadas às mudanças climáticas e à proteção de áreas sensíveis.
Minas Gerais já conta com um geoparque reconhecido pela Unesco desde 2024: o Terra de Gigantes, em Uberaba, no Triângulo Mineiro. No Brasil, outras cinco áreas possuem o título, distribuídas entre Ceará, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Caso seja aprovada, a candidatura do Parque das Mangabeiras ampliará a presença mineira nessa rede internacional.
A decisão final da Unesco é aguardada para o próximo ano. Até lá, o município e as instituições envolvidas trabalham na consolidação técnica da proposta, que deverá detalhar critérios científicos, ambientais e de gestão do território. O reconhecimento não altera, por si só, o regime jurídico da área, mas pode reforçar o debate público sobre a preservação da Serra do Curral e o uso sustentável de seus espaços naturais.




