Parte de talude que se desprendeu em Gongo Soco encheria até 6 mil carretas

A porção que se desprendeu do talude norte da cava de Gongo Soco e se assentou no fundo da água que há na mina representa menos de 1% do tamanho total do paredão que se movimenta na área da Vale. A informação é do superintendente de Gestão de Riscos de Desastres da Defesa Civil de […]

Parte de talude que se desprendeu em Gongo Soco encheria até 6 mil carretas
Detalhe do talude que se desprendeu – Foto: Reprodução/TV GLOBO|

A porção que se desprendeu do talude norte da cava de Gongo Soco e se assentou no fundo da água que há na mina representa menos de 1% do tamanho total do paredão que se movimenta na área da Vale. A informação é do superintendente de Gestão de Riscos de Desastres da Defesa Civil de Minas Gerais, major Marcos Afonso Pereira, que falou em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 31 de maio.

Na semana passada, a Agência Nacional de Mineração (ANM) havia informado que o talude completo possui 10 milhões de metros cúbicos ou 20 milhões de toneladas. A título de comparação, 1% desse total seria o suficiente para encher 6 mil carretas de dois eixos, com capacidade para transportar 33 toneladas cada uma.  

Modelo da carreta de dois eixos

Nesta sexta-feira, a Defesa Civil forneceu as medidas em metros quadrados. A porção que se desprendeu possui algo em torno de 20 metros de altura por 30 de largura, próximo a 600 metros quadrados de tamanho. Todo o talude mede 192 metros de altura por 500 de largura, ou seja, 9,6 mil metros quadrados de dimensão.

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O major confirmou que o desprendimento de parte do talude não afetou a atual condição de estabilidade da Barragem Sul Superior, da Vale, que segue em nível 3 de risco de rompimento. Segundo comentou, o movimento de deslocamento do paredão continua indicando para um assentamento mais tranquilo no fundo da cava.

“A base do talude escorregou para dentro da água. Esse movimento que vem se mostrando durante a semana, essa aceleração, já era esperada pelos técnicos e, segundo eles, isso é importante porque tira a tensão, tira a energia da base do talude. Faz com que ele se acalme e se acomode cada vez mais de forma gradativa no interior da cava, eliminando, portanto, o risco que nos preocupava, que era de um movimento brusco que poderia gerar ondas sísmicas e afetar a barragem”, disse à imprensa.

Major Pereira, da Defesa Civil, mostra o talude em Gongo Soco – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

O desprendimento do talude foi comunicado pela Vale na manhã desta sexta-feira. De acordo com a mineradora, o movimento aconteceu durante o fim da madrugada. A empresa também informou que a cava de Gongo Soco e a Barragem Sul Superior, que fica a 1,5 km da mina, seguem com monitoramento 24 horas por dia de forma remota, com o uso de radar e estação robótica capazes de detectar movimentações milimétricas, além de sobrevoos com drones.