Paulo Soares pressiona, mas não consegue que vereadores aprovem repúdio à Vale
Paulo Soares bem que tentou, mas não conseguiu convencer colegas a votarem a favorável a repúdio à mineradora Vale

As demissões na área da mineradora Vale foram um dos pontos de destaque da reunião da Câmara de Itabira nessa terça-feira, 24 de março. Presidente do Sindicato Metabase, o vereador Paulo Soares (PSB) cobrou dos colegas que eles participem de atos contra a decisão da empresa de mandar empregados embora. Ao fim do encontro, o socialista apresentou uma Moção de Repúdio à companhia, mas, apesar da pressão, não teve a adesão da maioria dos legisladores.
Paulo usou a tribuna e falou sobre o movimento “Reage Itabira”, encabeçado pelo Metabase. A ideia é unir várias entidades, além do Poder Público, em uma grande campanha que faça força pelo fim das demissões. Segundo o vereador-sindicalista, dois mil funcionários já foram mandados embora de empreiteiras e outros 70 deixaram de trabalhar diretamente na Vale. “Deixou de ser um problema do Sindicato. É um problema social, de toda Itabira. Precisamos reagir”, conclamou Paulo.
Para ilustrar o tamanho do problema, Paulo Soares disse que para cada funcionário demitido na Vale, dois são demitidos em outros setores da economia de Itabira. “É a maior empregadora da cidade. Claro que as demissões que acontecem por lá vão impactar aqui fora. É um problema de todos nós. Não dá para jogar nas costas só do Sindicato”, argumentou.
Com Paulo ainda na tribuna, vários vereadores se manifestaram a favor do movimento. Ilton Magalhães (PR), Palhaço Batatinha (PSDB), Lado de Dona Dudu (PMDB), Bernardo Mucida (PSB), Toninho da Pedreira (Pros) e o presidente da Câmara, Solimar Silva (SD), falaram em apoio à luta contra as demissões na Vale. “Realmente é um problema social. A Vale diz que o trabalhador é seu maior patrimônio, mas não é o que parece”, disse Solimar.
Após a manifestação dos colegas, Paulo cobrou que eles participem efetivamente do manifesto. E “cutucou” também o prefeito Damon Lázaro de Sena (PV). “Em 2008 (quando a Vale demitiu muita gente por causa da crise) eu vi vereadores e até o prefeito nas ruas contra as demissões. Vi até o deputado. Fizemos vigília em frente à Fundação Cultural e o prefeito estava lá. Como será agora?”, questionou.
Moção de Repúdio
No momento dos requerimentos, Paulo Soares apresentou uma Moção de Repúdio a ser entregue à Vale por causa das demissões. O termo assustou os colegas. Alguns discursaram e disseram que votariam contra porque “não queriam fechar portas” com a mineradora. Ilton Magalhães, Lado e Geraldo Torrinha (PDT) usaram esse argumento.
O presidente Solimar Silva, que só vota em caso de empates, fez questão de manifestar seu posicionamento. Ele foi favorável à Moção de Repúdio e lembrou que na legislatura passada também fez um requerimento de mesmo teor por causa das demissões de 2008. Na hora da votação, somente Paulo Soares, Toninho da Pedreira e Tãozinho Leite (PP) votaram pelo repúdio. Os demais foram contra.
Desolado, Paulo disse que não era um repúdio à mineradora, mas à ação de demitir trabalhadores. Depois de derrotado na votação, visivelmente irritado, o vereador deixou o plenário por alguns minutos, alegando que “precisava ir ao banheiro”.
Proposta de reunião
Ilton Magalhães sugeriu que a Câmara de Vereadores convide um representante da Vale para ir ao Legislativo falar sobre o momento que a mineradora vive em Itabira. O representante do PR disse que a empresa precisa prestar contas à comunidade, pois sempre quando tem notícia boa faz questão de contar.
A sugestão foi transformada em requerimento posteriormente por Toninho da Pedreira. Porém, Paulo Soares pediu que o colega esperasse um pouco, pois aconteceria uma reunião na noite dessa terça-feira, 24, no Sindicato Metabase, para definir estratégias contra as demissões. Várias entidades, e a própria Câmara, foram convidadas a integrar o movimento. Toninho acatou o pedido, mas adiantou que fará o requerimento em outra oportunidade.