Pedidos de CPI do Banco Master ganham força com apoio massivo de PL e PT
Apesar do amplo apoio multipartidário que inclui também legendas como União Brasil, PSD, PP e a adesão total de bancadas menores como PSOL e Novo
As bancadas do Partido Liberal (PL) e do Partido dos Trabalhadores (PT) lideram o volume de assinaturas nos requerimentos para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Banco Master. As duas legendas travam uma disputa de bastidores no Congresso Nacional em busca do protagonismo da comissão, que visa apurar o suposto envolvimento de congressistas em fraudes na instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro. Atualmente, o parlamento acumula oito pedidos distintos de instalação de comissões (entre CPIs e CPMIs), sendo que a maior parte já atingiu a quantidade mínima exigida de apoios.
No PL, que detém a maior bancada da Câmara, 86 dos 97 deputados federais endossaram os pedidos de investigação. No Senado, o apoio da sigla de direita foi unânime, registrando a assinatura de todos os seus 16 integrantes. O PT demonstrou uma mobilização equivalente: na Câmara, 64 dos 65 parlamentares petistas apoiaram as iniciativas, enquanto no Senado, todos os 10 representantes da sigla assinaram os documentos. O levantamento, realizado pela CNN Brasil, contabilizou exclusivamente os parlamentares em pleno exercício do mandato no dia 22 de maio, desconsiderando suplentes ou titulares afastados por razões médicas ou judiciais.
Apesar do amplo apoio multipartidário que inclui também legendas como União Brasil, PSD, PP e a adesão total de bancadas menores como PSOL e Novo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rejeitou a abertura das investigações neste momento. Único membro de seu partido na Casa a não assinar os requerimentos, Alcolumbre justificou sua posição afirmando que o caso já se encontra sob a apuração da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Judiciário. Pressionado tanto pela oposição quanto por aliados do governo, o chefe do Legislativo argumentou que uma eventual CPMI serviria prioritariamente como “palanque eleitoral”.
Enquanto a tramitação segue travada pela presidência do Congresso, PT e PL utilizam o escândalo para trocar acusações mútuas de cumplicidade com o esquema financeiro. Os petistas buscam vincular lideranças da direita e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao caso, mencionando áudios vazados envolvendo Daniel Vorcaro. Por outro lado, o PL reage associando o comando nacional do PT e diretórios nordestinos às movimentações do banco. O controle dos cargos de presidente e relator da comissão é considerado estratégico por ambos os lados, uma vez que tais funções definem o ritmo das convocações, pautam os requerimentos e determinam quem poderá ser indiciado no relatório final.




