‘Pedófilo não tem marca e nem característica específica’, diz psicóloga em audiência pública na Câmara de Itabira
Psicóloga Claudia Bragança fez alertas sobre casos de pedofilia em Itabira
“Pedófilo não tem marca, não tem característica específica. É uma pessoa ‘boazinha’, que você acha que pode confiar de ficar sozinho com as crianças”. O alerta é da psicóloga e pedagoga Claudia Bragança Costa e Moreira e foi dado durante audiência pública na noite dessa terça-feira, 5 de dezembro, na Câmara de Itabira. O encontro discutiu medidas para minimizar a incidência de casos no município e alertar para um problema cada vez mais comum e pouco debatido.
Claudia atua na Secretaria Municipal de Educação e há mais de uma década atua na área de maus tratos na infância. Ela defende que o trabalho preventivo é a melhor alternativa para coibir os casos de pedofilia, o que inclui conversar com familiares e orientar sobre os sinais dados por crianças que possam estar sendo submetidas à exploração. A profissional afirmou ter conversado com mais de mil pais somente neste ano dentro desse processo de prevenção.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a cada dia pelo menos 20 crianças de zero a nove anos de idade são atendidas em hospitais que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) no país por causa de violência sexual. O assunto, no entanto, por ser delicado, não é debatido com a frequência que deveria. Por causa disso, os vereadores Weverton Vetão (PSB) e Paulo Soares solicitaram a audiência pública. Além dos parlamentares e da psicóloga Claudia Bragança, o encontro reuniu outros representantes da Prefeitura, igrejas católica e evangélicas, OAB e Conselho Tutelar.

Weverton Vetão e Paulo Soares organizaram audiência pública para debater casos de pedofilia em Itabira Foto: Rodrigo Andrade/DeFato
A maioria dos casos de pedofilia (80%) acontece dentro da própria família da vítima. Claudia Bragança alertou também que a prática não consiste apenas no abuso sexual em si, mas pode ser também em forma de exploração, como divulgação de fotos e vídeos. “Nem todo pedófilo é abusador”, afirmou a psicóloga, que ainda completou que o pedófilo é um doente que tem a exata noção do que é certo e é errado. “Eles sabem que a prática é um crime”, acrescentou.
Participaram também da audiência pública: Neidson Dias Freitas, presidente da Câmara Municipal de Itabira; Maria da Luz Aparecida da Silva, presidente do Conselho Tutelar; Tatiana Gavazza, representante do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas); pastor Flávio Nascimento, da Igreja Batista Central; pastor Luiz Henrique, presidente da Associação Filadélfia; padre Eugênio Ferreira, representando a Diocese; Ilton Magalhães, secretário municipal de Governo; além de vereadores, advogados e comunidade em geral.

Audiência reuniu representantes de entidade na Câmara de Itabira Foto: Rodrigo Andrade/DeFato
Ao fim do encontro, os participantes decidiram criar uma Comissão Especial de Enfrentamento à Pedofilia em Itabira. O grupo terá a participação de diversos setores da sociedade e formulará novas propostas para combater a exploração infantil no município.
“É um assunto que nunca foi pautado desta forma. Essa discussão é algo novo em Itabira. A comissão aqui formada será uma comissão que terá muito trabalho. Acredito que o ponto mais positivo disso tudo é mostrar para a população a importância de se proteger nossas crianças e adolescentes”, afirmou o vereador Weverton Vetão.
Paulo Soares ressaltou a participação efetiva da comunidade na audiência pública. “Tivemos aqui representações evangélicas, católicas e diversos técnicos da Prefeitura. É um tema forte, mas nos surpreendemos com a participação da população. Com a proposta da criação da comissão, vamos unir Executivo, Legislativo e representantes de entidades diversas para combater a pedofilia e fortalecer o pilar da família itabirana”, declarou.




