“Pensando na minha qualidade de vida, decidi amputar”, diz o itabirano Cadu

Mobilização realizada após reportagem da DeFato fez com que o jovem conseguisse o medicamento, mas ele optou pela amputação

“Pensando na minha qualidade de vida, decidi amputar”, diz o itabirano Cadu
Jovem vinha procurando por ajuda para seguir o tratamento da perna esquerda. Foto: Arquivo pessoal
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Há cinco dias, você conheceu a história do itabirano Carlos Eduardo Souza Motta Dias, o Cadu, de 22 anos. À DeFato, o jovem falou sobre a sua luta para realizar um tratamento na perna esquerda, um dos membros afetados após uma queda de 12 metros de uma escada. Com o acidente, Cadu teve fraturas nas duas pernas, perfuração de pulmão, fratura de mandíbula e de três costelas. Ele ainda chegou a ficar entubado por dez dias, com 10% de chance de vida.

Mas a principal dificuldade, desde então, vinha sendo encontrar o antibiótico Amicacina, em escassez no estado. O medicamento poderia ajudá-lo a tratar uma bactéria, extremamente poderosa, que infectou sua perna esquerda, impedindo, assim, uma amputação do membro. Com a mobilização realizada após a reportagem da DeFato, Cadu até conseguiu acesso ao antibiótico, mas optou pela amputação após consultas com especialistas.

“Conversei com o ortopedista e a infectologista aqui no hospital (Hospital Metropolitano Célio de Castro – HMDCC). Infelizmente, é muito mais complicado que imaginávamos. Eu não tenho mais joelho e grande parte do fêmur. Graças à mobilização, agora tem Amicacina no hospital. E eu iria precisar de uma endoprótese de fêmur que dura apenas 5 anos, depois tem uma outra que dura mais cinco anos. Aí acabou, não tem mais o que fazer, só amputar”, relata.

“Resumindo, iria adiar o sofrimento por no máximo 10 anos, e a cada cirurgia corre o risco de uma nova infecção. Fora que Amicacina é muito tóxica, pode causar surdez e afetar o rim e eu precisar de diálise o resto da vida. Pensando na minha qualidade de vida, eu decidi amputar. Vai ser quarta (16) que vem”.

Cadu
Fotos: Arquivo pessoal

Nesta tarde (11), Cadu postou um vídeo de agradecimento a quem o apoiou, além de falar sobre os novos desdobramentos sobre o caso. Confira o depoimento do itabirano logo abaixo.

Apoio em Belo Horizonte

Na última terça-feira (8), a Prefeitura de Belo Horizonte, que também passou a se envolver no caso Cadu, emitiu uma nota relacionada à procura pelo medicamento. Um dia antes, a Secretaria Municipal de Saúde da capital havia recebido um novo estoque de Amicacina, em falta no mercado desde agosto de 2018.

Segundo o comunicado, o Hospital Metropolitano Célio de Castro fez uma compra emergencial do medicamento. O HMDCC, por conta da alta demanda, foi incluído na fila de pedidos do fornecedor do remédio. O hospital também diz que estuda a importação da Amicacina, para que não ocorra um novo desabastecimento.