Petistas reagem ao duro discurso de Arthur Lira com recados ao governo Lula
O presidente da Câmara avisou que o Congresso respeita os acordos políticos e cobrou do governo compromisso com “a palavra dada”
Lideranças petistas reagiram ao duro discurso proferido por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, dirigido ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na abertura do ano legislativo na segunda-feira (5).
Em meio ao descontentamento de parlamentares com cortes no pagamento de emendas do Orçamento, Lira, em seu discurso, avisou que o Congresso respeita os acordos políticos e cobrou do governo compromisso com “a palavra dada”. O presidente da Câmara foi enfático ao dizer que os trabalhos da Casa não serão paralisados por causa das eleições municipais ou por conta da sua sucessão, a partir do ano que vem. Ele ainda acrescentou que nenhuma disputa política entre a Câmara e o Executivo atrapalhará os trabalhos.
Lira também cobrou respeito ao que chamou de “acordos firmados” e ainda disse que o Orçamento da União “pertence a todos, não apenas ao Executivo”. O parlamentar criticou o que chamou de “burocracia técnica” e disse que deputados e senadores têm mais conhecimento das necessidades de cada município para definir a distribuição de recursos.
“A boa política, como sabemos, apoia-se num pilar essencial: o respeito aos acordos firmados e o compromisso à palavra empenhada. E esse exemplo de boa política e honradez com os compromissos assumidos dados por esta Casa que marcou o ano de 2023 e permitiu que tantos avanços também será a tônica de 2024. E é por nos mantermos fiéis à boa política e ao cumprimento de todos os ajustes que firmamos que exigimos como natural e contrapartida o respeito às decisões e o fiel cumprimento aos acordos firmados com o Parlamento”, afirmou Lira.
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Repercussão
Para o senador Humberto Costa (PT-PE), a fala de Lira foi “inadequada’. “É inoportuno numa cerimônia como essa vir cheia de recados”, disse.
Para Costa, há uma inversão de valores num trecho do discurso em que Lira defende que o “Orçamento pertence a todos, e não só ao Executivo”, porque o legislativo está extrapolando em seu papel ao ter um controle sobre grande parte dos investimentos.
No antigo Twitter, atualmente X, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) postou: “Chega de faca no pescoço. É sempre no mesmo tom. Chega de ameaças e faca no pescoço. É preciso harmonia entre os Poderes para fazer o Brasil avançar. Ora, o Orçamento pertence a todos, todas, e não apenas ao Executivo, diz Lira. OK. Perfeito. Só quem executa o orçamento é o Poder Executivo. O Legislativo aprova o Orçamento. Agora, o Parlamento que impor um esdrúxulo cronograma de execução orçamentária nnca visto na história. Ou seja, o parlamento quer executar o Orçamento. Essa atribuição constitucional é do Poder Executivo”.
Lindbergh menciona, também, um trecho em que Lira cobra o cumprimento de acordos: “Foram distribuídos ministérios, liberação recorde de emendas e mesmo assim vivemos uma crise permanente no Parlamento, onde a suposta base vive votando contra temas importantes para o governo. São muitas as votações que o governo fica isolado com pouco mais de 140 votos. Já que Lira fala em cumprir acordos, eu pergunto: houve acordo em relação a esses R$ 5,6 bi que o Lula vetou e que estão ameaçando derrubar o veto? A informação que tenho é que não houve esse acordo. então, Lira, é hora de todos cumprirem os acordos”.
CHEGA DE FACA NO PESCOÇO!
É sempre no mesmo tom! Chega de ameaças e faca no pescoço! É preciso harmonia entre os poderes para fazer o Brasil avançar!
Ora, o orçamento “pertence a todos, todas e não apenas ao Executivo”, diz Lira. Ok. Perfeito. Só que quem executa o orçamento é o…— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) February 5, 2024
O deputado Bonh Gass (PT-RS) rebateu Lira ao afirmar que o Executivo também consulta a população para definir prioridades orçamentárias e que os projetos do governo não podem ser prejudicados: “O dinheiro para emendas é do mesmo tamanho do PAC. Temos que ter planos estruturantes no País”.
O ministro Rui Costa, presente à cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, minimizou a fala de Lira. “Não achei preocupante. Ele fala em nome do Parlamento. Nós haveremos sempre de encontrar no diálogo, no entendimento, nas conversas, formas de construir pontes. tem uma concordância na fala dele e o nosso entendimento quando ele diz que errarão aqueles que apostarem no confronte entre o Legislativo e o Executivo”, avaliou.
Randolfe Rodrigues, senador sem partido pelo Amapá, disse que não acredita que o discurso de Lira tenha tido um tom de cobrança: “Falo como líder do governo, nós não nos sentimos atingidos por isso. todo acordo que estabeleceu com o Parlamento, o governo procurou cumprir”.




