PF prende dois homens em operação contra espionagem e tentativa de influenciar juiz em Minas
Nova fase da Operação Rejeito cumpriu mandados em Belo Horizonte e Ibirité após investigação apontar monitoramento de autoridades e acesso a dados sigilosos
A Polícia Federal prendeu dois homens e cumpriu seis mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (18), durante a segunda fase da Operação Rejeito, em Belo Horizonte e Ibirité, na Região Metropolitana. A ação apura suspeitas de espionagem, monitoramento de autoridades e obtenção irregular de dados bancários e telefônicos.
O grupo teria contratado uma empresa para acompanhar pessoas de interesse dos investigados. As suspeitas envolvem vigilância presencial, uso de equipamentos de rastreamento, registros fotográficos e acesso a informações pessoais e sensíveis. Entre os dados que teriam sido obtidos de forma irregular estão informações sobre um juiz federal que passou a conduzir um processo ligado a uma empresa investigada. Conforme a Polícia Federal, após acessar esses dados, o grupo teria tentado se aproximar de um familiar do magistrado que atua na advocacia. A apuração também identificou tentativas de aproximação com autoridades públicas.
Outro ponto investigado é a suposta contratação de falsas operações policiais, apresentadas como blitz, além da oferta de serviços para obtenção de informações protegidas por sigilos bancário e telefônico.
Há ainda indícios de acesso indevido a sistemas restritos de órgãos de segurança pública. As pessoas investigadas podem responder por embaraço à investigação de organização criminosa e violação de sigilos, crimes cujas penas somadas podem ultrapassar 16 anos de prisão.
Além das prisões e buscas, a Justiça Federal determinou a suspensão das atividades das empresas envolvidas na investigação. A medida foi tomada por um colegiado de magistrados responsável pelos processos relacionados ao caso.
A operação é um desdobramento da Rejeito, deflagrada em setembro de 2025. A primeira fase investigou um grupo suspeito de atuar em esquemas de corrupção, fraudes em licenças ambientais, exploração irregular de minério e lavagem de dinheiro em Minas Gerais.
Na nova etapa, chamada Contrassabotagem, o foco é identificar possíveis ações adotadas para dificultar investigações e interferir no andamento de processos ligados ao grupo.




