Pimentel quer ser o senador das cidades

Ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT) quer chegar ao Senado para defender o interesse dos municípios mineiros. “Tenho dito muito, e vou repetir mais uma vez, que eu quero ser o senador das cidades. O senador dos prefeitos, dos vereadores, das lideranças locais, que estão mais perto dos problemas da população”, afirmou o petista […]

Ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT) quer chegar ao Senado para defender o interesse dos municípios mineiros. “Tenho dito muito, e vou repetir mais uma vez, que eu quero ser o senador das cidades. O senador dos prefeitos, dos vereadores, das lideranças locais, que estão mais perto dos problemas da população”, afirmou o petista ao Estado de Minas, que inicia nesta terça-feira uma série de entrevistas com os principais candidatos ao Senado. Terceiro colocado nas pesquisas de opinião, o candidato acredita no poder da propaganda de televisão para se tornar conhecido e sair da posição desfavorável. Cotado para assumir um ministério em uma eventual vitória de Dilma Rousseff (PT) na sucessão do Palácio do Planalto, Pimentel diz que quer ser senador, mas não descarta a possibilidade.

Nas últimas pesquisas de opinião o senhor aparece na terceira colocação. Como sair dessa situação e ganhar a eleição?

O fato de estar em terceiro lugar na pesquisa, com o quadro que há tem hoje em Minas, não é surpresa e não me assusta nem preocupa tanto. Os outros candidatos são muito mais conhecidos que eu. Nós estamos falando de um governador eleito e reeleito, que é o Aécio Neves (PSDB), e de um ex-governador e ex-presidente da República, que é o Itamar. Obviamente eles têm muito mais recall que eu. Isso é normal e eu já esperava. Ocorre que tenho uma base muito sólida em Belo Horizonte, região metropolitana e Região Central do Estado, com reconhecimento muito forte da minha gestão como prefeito. E tradicionalmente essas regiões são irradiadoras para o resto do estado, Belo Horizonte em especial. Muita gente que mora aqui tem parentes no interior, conhecidos e amigos, ou são do interior e moram aqui. Isso bem trabalhado vai dar uma alavancagem muito grande na campanha. Além disso, estou constituindo uma rede de apoio político, de lideranças locais no interior. Tenho viajado muito com esse objetivo e estou aguardando começar a televisão, quando a campanha fica mais massiva e as pessoas vão saber quem sou. Hoje, as pessoas no interior, nas regiões mais distantes, sabem, têm uma referência a meu respeito. Pimentel foi prefeito de Belo Horizonte, foi um bom prefeito, a minha irmã falou, a minha mãe mora lá e falou. Mas é só uma referência, não me conhecem de perto. E vão conhecer quando tiver a televisão. É preferível começar em terceiro a acabar lá em cima do que começar lá em cima e acabar em terceiro.

E como vai ser o programa de televisão? O presidente Lula vai participar?

O presidente Lula vai gravar para todos nós, que somos candidatos dele. É muito importante para a nossa campanha dizer que eu sou o senador do Lula e da Dilma. Mas o programa não vai ser só isso. Vamos usar muito a memória, a afirmação da gestão que fizemos em BH e mostrar como isso pode ser usado em benefício do estado inteiro a partir do Senado. Tenho dito muito, e vou repetir mais uma vez, que eu quero ser o senador das cidades. O senador dos prefeitos, dos vereadores, das lideranças locais, que estão mais perto dos problemas da população. E por quê? Porque a minha experiência política e administrativa é essa. Fiquei 16 anos na prefeitura como secretário (da Fazenda), como vice, como prefeito, e graças a Deus fiz uma boa gestão. Então, isso me qualifica muito bem para entender os problemas locais. Eu acho que o Senado precisa disso. O Senado é local de discussão dos grandes temas nacionais, mas deve ser também local de atenção com os problemas da população. Precisamos em Minas de um senador com esse perfil e acho que tenho qualificação para isso. Então, vou fazer campanha com essa característica. Primeiro, senador do Lula e da Dilma, de apoio ao governo. Segundo, o senador que entende dos problemas da cidade, que quer ajudar a resolver e está preocupado com o dia a dia da população.

Se o senhor for eleito, então, os mineiros terão um senador preocupado com as cidades?

As pessoas não sabem, mas o Senado trata de grandes questões relacionadas com os municípios. Vou dar um exemplo: toda aprovação de crédito, de financiamento, de empréstimo, seja no sistema financeiro nacional, seja nos bancos internacionais para cada uma das cidades, passa pela Comissão de Assuntos Econômicos e pelo plenário do Senado. Quer dizer, nenhum município pode pedir dinheiro emprestado para fazer investimentos, obras, se não tiver a aprovação do Senado. Existem resoluções do Senado que regulamentam essas questões e são muito antigas, datam ainda da década de 1990, quando tínhamos inflação muito alta no Brasil e havia portanto um objetivo de política econômica que era dificultar o financiamento nos municípios com a ideia de que aquilo poderia provocar inflação. Agora é o contrário. Nós precisamos abrir espaço para que os municípios invistam, e que, se estão com boa saúde financeira, possam tomar recursos para fazer investimentos necessários para melhorar a vida nas cidades.

Tem-se dito muito nos bastidores que, caso a ex-ministra Dilma Rousseff seja eleita presidente da República, o senhor poderia assumir o Ministério da Fazenda ou das Cidades. O que há de verdade nisso? O senhor deixaria um mandato de senador para integrar o governo federal?

Por enquanto nada, é tudo especulação, porque a ministra não foi eleita presidente e eu a conheço bem, ela é minha amiga há 42 anos e jamais começaria a nomear ministério antes de ter a eleição resolvida. Agora, se vai vir ou não um convite para ministério, eu não sei nem cabe a nós especular sobre isso. Eu quero ser senador, acho que vou cumprir um papel importante no Senado, posso fazer um bom mandato. Acho que a ministra vai precisar como presidenta de um apoio muito sólido no Senado, e estou disposto a cumprir meu mandato lá. Se vier um convite para ministério amanhã, vamos estudar, se e quando ele vier. Por enquanto é tudo especulação.

O senhor então não descarta ir para um ministério…

Não, ninguém pode descartar. Mas descartar ou aceitar depende de um convite. Como não há convite, vamos esperar. Eu quero ser senador por Minas Gerais.

O senhor tem feito campanha separado do candidato a governador da chapa Hélio Costa (PMDB). Raramente vocês são vistos juntos. Por quê?

É uma estratégia combinada, planejada, negociada e articulada. Você chega a uma cidade com candidato a governador, o foco do eleitor e da imprensa é o candidato a governador. Quando chego sozinho eu sou assunto, sou matéria. Quando chego acompanhado do Hélio, a matéria é ele. Ele entende isso muito bem, não há nenhuma divergência. Em Belo Horizonte a gente procura estar junto a maior parte do tempo porque aqui, sim, eu tenho voto, tenho capacidade até de ajudá-lo. No interior, quando estou com ele, é bom, naquelas regiões onde ele tem muita penetração e onde sou pouco conhecido. Depois que a televisão começar e eu tiver mais projeção pública, aí não há nenhum problema em andar junto o tempo todo porque as pessoas vão dizer: a chapa completa.