Pipas prejudicam o fornecimento de energia elétrica a quase 400 mil clientes da Cemig
Somente em junho, as ocorrências registradas representam cerca de 38% do total em seis meses
Quase 150 mil clientes da Cemig tiveram o fornecimento de energia interrompido por ocorrências relacionadas ao uso de pipas em Minas Gerais no mês passado. O número representa um acréscimo de 60% em comparação ao total registrado entre janeiro e maio, quando 248 mil unidades consumidoras haviam afetadas.
[
Ao todo, no recorte do primeiro semestre de 2025, mais de 398 mil clientes da empresa enfrentaram interrupções de energia provocadas por pipas em 1.338 ocorrências
Na Região Leste, em todo o primeiro semestre, a Cemig registrou pouco mais de 20 mil clientes prejudicados em 78 ocorrências. Com a chegada do recesso escolar, período em que a prática de soltar pipas costuma aumentar, a companhia reforça orientações de segurança para reduzir esse tipo de ocorrência e proteger a população.
O técnico de Segurança do Trabalho da Cemig, César de Jesus Souza, destaca que soltar pipa não é o problema. “Soltar pipa é uma atividade lúdica e que as crianças e jovens gostam muito. Mas é importante que se tenha consciência de que a brincadeira deve ser realizada em áreas abertas e sem rede elétrica, pois pode causar acidentes graves ou provocar interrupções no fornecimento de energia e prejudicar muitos clientes”, afirma.
Além disso, Cesar Souza alerta que o uso de linhas cortantes é expressamente proibido, pois quando uma linha de papagaio entra em contato com cabos e equipamentos, pode provocar o rompimento da fiação. “Quer seja por manipulação de quem está praticando a brincadeira, ou mesmo quando a linha é cortada e carregada pelo vento, quando ela pode cair aleatoriamente sobre a redes elétrica ou vias públicas, o risco de ruptura dos cabos é muito grande”, explica o especialista da Cemig.
Nunca tente resgatar pipas presas à rede elétrica
Além disso, o técnico de segurança da Cemig também alerta que nunca se deve tentar resgatar pipas presas na rede elétrica, pois o risco de acidentes é muito grande. “As redes de distribuição, de transmissão e as subestações da Cemig são construídas dentro dos padrões das normas técnicas brasileiras, com características e distanciamento que garantem segurança. Dessa forma, a aproximação indevida e o uso de cerol e linha chilena têm sido os principais causadores de acidentes com a rede elétrica da companhia”, ressalta.
Importante destacar que, ao longo do ano, a Cemig realiza campanhas de segurança e conscientização sobre os riscos de se soltar pipas próximas das redes elétricas em escolas, entidades e veículos de comunicação.
Lei proíbe uso de linhas cortantes em MG
A Lei Estadual 23.515/2019 proíbe, em todo o território mineiro, a fabricação, comercialização e uso de cerol ou linha chilena em pipas, papagaios e artefatos semelhantes. Em vigor desde dezembro de 2019, a norma busca coibir o uso de materiais cortantes que colocam em risco a segurança de pessoas e a integridade da rede elétrica.
As penalidades para quem for flagrado vendendo ou utilizando esse tipo de linha variam de R$ 5.531 a R$ 276 mil, nos casos de reincidência. Quando o material apreendido estiver com crianças ou adolescentes, os pais ou responsáveis serão responsabilizados, e o caso será encaminhado ao Conselho Tutelar.
Cesar de Jesus Souza também chama a atenção para um perigo adicional: o risco de choque elétrico. “Ao ser revestida com cerol ou feita com arames e fios metálicos, a linha da pipa se torna um condutor de eletricidade. Se atingir a rede elétrica, pode provocar acidentes graves”, explica.
Além dos riscos à rede de energia, as linhas cortantes representam ameaça direta à integridade física de pedestres, motociclistas e dos próprios praticantes da brincadeira. “O uso de cerol ou linha chilena pode resultar em ferimentos graves e até fatais. Por isso, essa prática jamais deve ser incentivada”, reforça.
15.07.2025 l Classificação: Público




